Édipo rei - o rei dos Bobos é um trabalho prático-teórico que analisa as implicações e as transformações dos procedimentos cômicos do palhaço durante a criação das cenas. As relações "trágico-cômico" ou "tragicomédia", o conceito de cômico-sério, territorialidade, recepção da estética cênica, conceito de conexão, "estado cômico", "triangulação", "processo colaborativo", "palhaçaria" e "espaços vazios". Essa pesquisa encontra-se vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Arte do Instituto de Artes, em nível de doutorado, da Universidade de Brasília, na linha Processos Composicionais Para a Cena, sob o título:
A poética da palhaçaria no gênero
trágico:
Implicações e transformações nos
procedimentos cômicos do palhaço para criação da cena contemporânea
Pesquisador: Denivaldo Camargo de Oliveira - Denis Camargo
Orientador: Professor Doutor Marcus Mota
INTRODUÇÃO
Esta proposta, de pesquisa teórico-prática, se propõe a investigar os
procedimentos cômicos da palhaçaria utilizados na produção e criação cênica
inspirada na tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles. Segundo Edith Hall (apud MOTTA,
2011, p. 4), os motivos de utilização de um texto grego trágico são vários e todos
são pertinentes para a pesquisa desejada. Dentre alguns, destaco:
a) a reflexão sobre o grau de
proximidade ou de distancia entre a nossa sociedade e a cultura grega;
b) o estímulo pela reflexão acerca da moral;
c) sobre as questões éticas diversas: legitimidade do desejo de vingança,
questionamento sobre os modos de julgamento dos criminosos e as vítimas de
guerra, a premeditação de um crime e a relação entre os crimes;
d) relacionamento entre mãe e filho;
e) possibilidades e implicações dos procedimentos
cômicos da palhaçaria na cena trágica.
Esta proposta de pesquisa pretende colocar em cena a tragédia grega -
Édipo Rei, de Sófocles, no contexto dos
processos composicionais para a cena contemporânea. Além disso, será realizada
a produção científica, no departamento de Pós-Graduação da UnB, para aquisição
do grau de doutorado. Por outro lado, permitirá o desdobramento da minha
pesquisa de mestrado ao propor uma reflexão da poética da palhaçaria, na busca
de procedimentos cômicos e suas aplicações e implicações no gênero trágico.
Ademais, serão utilizadas referências bibliográficas relacionadas a estudos
sobre o trágico e as cenas moderna e contemporânea, realizados por Edith Hall
[1],
Helene P. Folley
[2],
Simon Goldhill
[3],
Patrícia Vasseur-Legangneux
[4], Josette Féral
[5],
Freddy Decreus
[6],
Rush Rehm
[7],
Marcus Mota
[8],
Gilson Motta
[9],
Linda Hutcheon[10].
Por outro lado, visto pelo contexto da
poética da palhaçaria e da comicidade propostos por Pierre Etaix
[11],
Henri Bergson
[12],
Demian Moreira Reis
[13], Marcus Mota
[14],
Luís Otávio Burnier
[15], Gilberto Icle
[16],
Martin Esslim
[17],
entre outros.
Gilson Motta (2011, p. 14 - 78), em O
espaço da tragédia, realiza um precioso estudo sobre a presença de textos
trágicos na cena moderna e contemporânea no Brasil. Motta ainda complementa:
deparamo-nos
com uma tradição teatral que envolve, por um lado, diversas formas e técnicas
de representação, tais como um modelo de construção dramática, a fusão das
artes, a convivência do épico e do dramático, a presença do discurso poético, a
possibilidade de diferentes formas de jogo para o ator; por outro lado, essa
tradição também nos aponta para uma série de conceitos e temas, como a catarse,
o herói, a representação do patético, o trágico, entre outros. (MOTTA, 2011, p.
12).
Outra referência teórica importante para essa pesquisa é Dionysus since 1969: Greek Tragedy at the
Dawn of the Third Millenium (Dionísio desde 1969: Tragédia Grega na
Alvorada do Terceiro Miliênio), organizado por Edith Hall, Fiona Macintosh e
Amanda Wrigley. Edith Hall reune diversos estudiosos da tragédia grega e, sua
obra encontra-se dividida em seções temáticas, definindo quatro categorias em
torno das quais se estabelece o discurso de resgate da tragédia grega na
pós-modernidade:
a) Social: relaciona-se à temática
da liberação sexual e à discussão da sexualidade por intermédio do texto
antigo;
b) Político: diz respeito aos diversos conflitos internacionais que
marcam a vida contemporânea;
c) Teatral: relaciona-se aos elementos específicos da Estética teatral, no caso, da Palhaçaria;
d) Intelectual: relacionado aos conceitos presentes no teatro antigo, por exemplo, as
relações entre o emotivo e a razão, entre religião e pensamento metafísico.
Com o intuito de aprofundar a pesquisa obtida no mestrado e de ampliar o
seu território, agora mergulharei no processo criativo da poética da
palhaçaria, investigarei os procedimentos cômicos utilizados pelos palhaços e
suas implicações em relação ao confronto de gênero da linguagem cênica, do
trágico e do cômico. A utilização de obra grega clássica Édipo Rei, de Sófocles,
tem o objetivo de encontrar o discurso universalista e o intuito de produzir a
comicidade da palhaçaria. Muitos pesquisadores, filósofos, autores e diretores
teatrais, literatos e estetas questionaram e ainda questionam essa herança cultural
da tragédia grega e suas influências estéticas na cena contemporânea. Em Teorias do Teatro, Marvin Carlson
destaca alguns desses estudiosos que abordaram esse tema no decorrer do século
xx, dentre eles: Georg Lukács, Max Scheler, Walter Benjamin, Gilbert Murray,
Albert Camus, Eugène O'Neill e Roland Barthes.
Marcus Mota ressalta que o teatro grego era constituído de múltiplas
atividades cênicas: partes faladas, recitadas, dançadas e cantadas. As partes
cantadas e dançadas eram executadas tradicionalmente pelo coro e corifeu
(MOTA,1998, p.15). Os procedimentos utilizados pelo palhaço para abordar essas
múltiplas atividades cênicas norteará as reflexões dessa pesquisa. Para tanto,
propõe-se reconhecer certos procedimentos da palhaçaria, suas aplicações e
implicações, na criação cênica contemporânea que tem no texto trágico o suporte
para o processo criativo.
Édipo Rei passará
por um processo de adaptação, sobre
adaptações de obras clássicas para a cena, Linda Hutcheon (2011), analisa diversos
elementos estruturais, como a paródia, a ironia, a narração e a adaptação,
sempre relidos em nova chave, pois geram novas possibilidades formais de
criação. Do ponto de vista da produção, a autora diz que é um ato criativo que
opera um processo específico de leitura, interpretação e recriação a partir de
uma obra anterior. Frente a essa primeira familiarização com o conceito de
adaptação e à variedade das concretizações do fenômeno, Linda Hutcheon também
chama atenção para a impossibilidade de uma releitura neutra (como a que o
discurso da “reconstituição histórica” tenta asseverar), a pensadora canadense
resume: “O contexto pode modificar o sentido, não importa onde ou quando”.
(HUTCHEON, 2011, p. 147).
Por outro lado, essa obra grega clássica sofrerá um confronto com a arte
da palhaçaria. Esta propõe um compromisso com o absurdo, com a lógica do
palhaço, com a inversão do discurso, o prazer, a capacidade do humor, com o nonsense, a paródia, o absurdo, a
presença da triangulação nas ações do palhaço, a improvisação, a liberdade do
espírito, entre outras.
Acredito que essa pesquisa colocará dois elementos em confronto, a
questão da consciência trágica,
oriundo do texto trágico, com o da lógica do palhaço calcada no estado cômico.
O trágico ou a consciência trágica - consciência do
dilaceramento , da insignificância, do absurdo, da divisão e separação radical, da ausência de fundamento
- emerge também desse novo teatro, que terá ainda as práticas e teorias de Brecht
e Antonin Artaud como estéticas determinantes. (MOTTA, 2011, pag. 18).
Por outro lado Miller diz: – O palhaço é poesia em ação (MILLER, 1948, p. 14). E
acrescenta: – Ele é a história que desempenha (MILLER, 1948, p. 14).
Focando nessa questão da ação do palhaço, agrego a referência de Gilberto Icle
sobre o assunto:
Ao pensar a ação cômica, logo surge a imagem da
poesia. Não uma poesia de palavras, mas uma poesia de ações. E se a poesia é
uma seleção metafórica que toca e encanta, então, a ação clownesca, plena e
construída a partir da experiência profunda, é uma poesia em ação, uma metáfora
do homem como homem, perdido em sua humanidade. (ICLE, 2006, p. 44).
Ainda acrescenta,
O clown age e pensa um pouco mais lento
que o agir e o pensar cotidiano, o que
caracteriza a sua ação. A "personificação das coisas e partes do
corpo" é outra noção importante. Em geral, o clown tem pouco controle sobre o mundo que o cerca, e sua ação está
mediada por este pensar animista. (ICLE, 2006, p. 16).
Contudo, o trabalho do palhaço
não está calcado apenas nas ações físicas do ator/cômico que o desempenha. É
preciso sublinhar uma sutil diferença entre o que se chama de estado e de ações
cômicas do palhaço. É comum que todos riam de um palhaço, mesmo que ele não
faça nenhuma ação física relacionada ao tempo e espaço, mesmo que não tenha
ação. O palhaço exemplifica a existência do seu "estado" no trabalho
do ator. Para Icle, isso pode ser explicado de duas formas:
Na
primeira poderíamos compreender que esses estados se caracterizam por
microações que, embora não sendo perceptíveis ao observador, existem no corpo
do ator, ocasionando um fluxo de energia que altera a presença cotidiana e
resulta numa alteração da percepção que o observador tem do ator. Uma segunda
explicação poderia ser entendida como o resultado da ação, nesse caso, um
conjunto de ações físicas provocaria como resultado o acionamento de
determinadas energias corpóreo-vocais, que configurariam, então, a percepção de
um estado alterado no corpo do ator. (ICLE, 2006, p. 17).
A escolha da poética da palhaçaria me ajudou a determinar um limite
bastante específico nesta pesquisa para considerar as abordagens nas questões
de gênero. O texto trágico viabilizará uma espécie de moldura para a pesquisa
do atores/palhaços, ampliará o foco do seu trabalho no campo da atuação e de
suas ações físicas. Por outro lado, o espírito libertino do palhaço, o estado
lúdico e espontâneo, o nonsense, o
absurdo textual e comportamental, a paródia, a inversão de valor do discurso,
favorecerão os procedimentos utilizados para gerarem a comicidade da
palhaçaria. Contudo, acredito que haverá um choque de linguagem e de gênero.
Trágico X Cômico. E serão as implicações/entraves, em relação aos procedimentos
cômicos dos palhaços, que comporão o meu objeto de estudo.
Patrice Pavis em Dicionário do
Teatro destaca a questão da poética
dos gêneros, para ele 'um gênero é
constituído - além das normas exigidas pelas poéticas - por um conjunto de
codificações que informam sobre a realidade que se supõe que o texto
represente, que decidem sobre o nível de verossimilhança da ação' (PAVIS, 1999,
p. 182),. Diante dessa perspectiva de gêneros, quais são/serão as aplicações e
implicações dos procedimentos cômicos enfrentadas pelos atores/palhaços? A
utilização de um gênero trágico viabiliza ou dificulta a abordagem do gênero
cômico?
Coloco em referência
esses dois processos criativos porque eles servirão de base para coleta de
informações acerca dos procedimentos cômicos utilizados pelos atores e de suas
implicações em relação à questão do gênero trágico das obras. Pretendo
entrevistar os atores dos dois grupos mencionados para levantar essas questões
e coletar as suas impressões, procedimentos e dificuldades encontradas durante
o processo criativo. Por outro lado, utilizarei também os relatos dos
atores/palhaços que participarão do processo criativo da obra Édipo Rei de Sófocles com o objetivo de
traçar recorrências/similitudes entre eles.
Diante de referências práticas e teóricas apresentadas pela longa
tradição teatral, desejo focar essa pesquisa numa questão mais atual que é a do
riso em relação ao processo de identificação com a desgraça do outro, e, que
tem, nesse outro, a representação da desgraça em si - o palhaço.
JUSTIFICATIVA
Essa pesquisa se
justifica na sua proposta de analisar o elemento trágico revisto numa dupla
direção, onde se fundem o elemento existencial, de caráter universalista, político e social, de características mais
tópicas, ou seja, o universo do trágico e o elemento da estética da palhaçaria
com seus procedimentos que geram a comicidade e o riso do espectador. Propõe-se
um espaço de realização e reflexão de obras para a cena numa abordagem global,
utilizada como metodologia para o processo criativo, tornando possível a
compreensão das etapas fundamentais de uma montagem cênica. E, principalmente,
aproximando-a da atividade de pesquisa.
Ao utilizar questões
célebres, localizadas na obra desse autor mundialmente conhecido, e utilizada
como ponto de partida para o processo criativo teatral, esta pesquisa
viabilizará o diálogo entre as questões individuais e coletivas vividas pelo
grupo de atores/palhaços escolhidos para a execução do trabalho.
Os porquês da
utilização de uma obra grega trágica para um processo criativo da arte da
palhaçaria contemporânea são muitos. Contudo, a montagem de uma obra grega
sempre envolve uma relação de conflitos entre a tradição e o novo. Por isso,
Sérgio Motta relata:
aquilo
que a tragédia grega põe cena é justamente o trágico: um mundo em conflito, um
mundo dividido entre as antigas tradições e concepções míticas e a nova ordem
política. O original na tragédia grega é justamente a invenção de uma visão e
de um sujeito trágicos, os quais surgem no interior deste mundo em conflito.
(MOTTA, 2011, p. 10).
Justifica-se também na
proposta de reflexão acerca da questão de gênero trágico teatral e sua
influência nos procedimentos do trabalho do ator/palhaço e no que essa
influência altera no resultado da estética da palhaçaria. Essas questões são
fundamentais quando se pensa na encenação do texto trágico, pois dizem respeito
a modos diferentes de se relacionar com o passado e com as estéticas cênicas.
Trata-se de fazer uma reflexão sobre o grau de proximidade ou de distância
entre a nossa sociedade e a cultura grega.
Que procedimento deve
ser utilizado pelos palhaços para gerar o humor, o riso e o encantamento do seu
público? Onde devem ser aplicados e quais são as suas implicações no processo
criativo na poética da palhaçaria contemporênea? O ator/palhaço pode pensar
sobre o efeito dessa frase que diz que "a tragédia de um palhaço é magnífica!"
[20]
e deve saber que o gênero trágico oferece uma situação concreta, clara e forte
para ele criar ou desenvolver procedimentos e efeitos cômicos (
gags[21]) de seu
trabalho. Por outro lado, até que ponto a figura do diretor influencia e altera
esses procedimentos? Existe uma desterritorialização na função de diretor na
poética da palhaçaria?
Penso, a
princípio, que este trabalho poderá contribuir para que artistas cênicos possam
conhecer um pouco mais das relações entre os textos trágicos e a composição de
espetáculos cômicos, assim como acompanhar a discussão contemporânea que
envolve esta questão.
OBJETIVOS
Objetivo Geral:
O presente trabalho tem como objetivo geral reunir os
principais conceitos de comicidade/procedimentos cômicos, utilizados pela
figura do palhaço, e correlacioná-los com o entendimento prático numa montagem
de uma tragédia grega que implica um pensar sobre este elemento trans-histórico
inventado pelos gregos, isto é, um sujeito trágico, por intermédio do qual o
próprio homem é problematizado.
Objetivos específicos:
·
Reunir, em material conciso, as principais
discussões sobre o conceito de tragédia e palhaçaria na atualidade;
·
Compreender como a palhaçaria contemporânea
dialoga com a tradição do gênero trágico;
·
Investigar grupos teatrais brasileiros que
desenvolveram técnicas próprias para a construção de suas poéticas cênicas e
seus procedimentos;
·
Mapear as implicações e consequências desses
procedimentos cômicos nas abordagens do gênero trágico para a atualidade;
·
Promover estudo epistemológico do conceito de
palhaçaria para fins didáticos.
METODOLOGIA
A primeira parte do trabalho a ser desenvolvido ao
longo da pesquisa será uma cartografia dos conceitos de gênero trágico e cômico
baseada no estudo teórico dos processos, livros, revistas, artigos
especializados, dissertações de mestrado e doutorado que tangem o assunto. Na
pesquisa já realizada pude perceber que
o material existente sobre essas questões, em português, é considerável, embora
a maior parte ainda não esteja publicada oficialmente por editoras. No entanto,
este não será um problema, pois pode-se encontrá-lo nas universidades, em forma
de dissertações, teses e em revistas especializadas em forma de artigos.
A segunda parte consistirá na pesquisa dos processos
criativos com integrantes do grupo Galpão/MG e Clowns de Shakespeare/RN, dos
quais farão parte o diretor de teatro (Gabriel Vilela) e atores integrantes dos
dois grupos que participaram da montagem dos espetáculos citados. Esta parte da
pesquisa tem o objetivo de realizar entrevistas gravadas ou por meio de
recursos audiovisuais que auxiliarão no processo de compreensão dos
procedimentos cômicos utilizados pelos atores em relação ao processo criativo,
construção do espetáculo e direção cênica. O objetivo é de além de ampliar os
conhecimentos do assunto, entrevistar pessoas envolvidas nas práticas teatrais,
identificar eventuais confusões conceituais e, se existirem, mapear os tipos ou
modalidades.
A terceira parte da pesquisa se fará no processo de
criação e produção de obra para a cena. Para esta parte, reunirei um grupo de
atores/palhaços que participarão do processo criativo do espetáculo Édipo Rei - o rei dos Bobos, livremente inspirado em Édipo Rei de Sófocles.Nesse momento registrarei os procedimentos utilizados na abordagem do
texto trágico e sua transposição para o gênero cômico, especificamente, a arte
da palhaçaria. Além de mapear as aplicações dos procedimentos cômicos dos
atores, desejo conhecer as implicações e dificuldades de realização.
Na quarta parte pretendo analisar o impacto do
resultado cênico da obra em relação à sua receptividade, por parte do
espectador. As relações entre obra e espaço cênico, obra e intérprete, obra e
espectador, obra original e obra adaptada e outras questões que poderão surgir
no decorrer da pesquisa.
Na quinta parte procurarei realizar um processo
comparativo nas abordagens das obras criadas pelo grupo Galpão, o grupo Clonws de
Shakespeare e o grupo de palhaços que realizarão o espetáculo Édipo Rei - o rei dos Bobos.
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[18] Espetáculo
Romeu e Julieta (1992 – 2012).
Ao atualizar o sentido da mais conhecida história de amor da
humanidade, a concepção de Gabriel Villela para o Galpão transpôs a tragédia
dos dois jovens apaixonados para o contexto da cultura popular brasileira. Esse
conceito sustenta todo o espetáculo, especialmente na figura do narrador, que
rege toda a ação com uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa e no sertão
mineiro.
A montagem da tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira
do grupo. O encontro com Gabriel Villela significou a ousadia de fazer um
clássico na rua. Ao texto original do espetáculo, na clássica tradução de
Onestaldo de Pennaforte, juntam-se elementos da cultura popular brasileira e
mineira, presente nas serestas e modinhas, nos adereços e figurinos que remetem
ao interior profundo do Brasil. Desde sua estréia na histórica cidade de Ouro
Preto, em 1992, "Romeu & Julieta" construiu uma carreira de
sucesso de público e crítica, no país e no exterior. Visto duzentas e setenta e
duas vezes, em quase sessenta cidades brasileiras e em nove países estrangeiros
- Espanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai,
Venezuela e Colômbia - em teatros, estádios ou, preferencialmente, em praças
públicas, por platéias oscilando entre trezentos e quatro mil espectadores. Em
julho do ano de 2000, coroou sua trajetória com uma série de apresentações em
Londres, no palco do Shakespeare’s Globe Theatre, onde recebeu uma consagradora
acolhida do público inglês. (Fonte:
http://www.grupogalpao.com.br/port/espetaculos/romeu_sinopse.php) (Acesso:
08/10/2012, às 09h.).
[19] O espetáculo Sua Incelença, Ricardo III marca o
encontro entre dois nomes de destaque na cena teatral brasileira: o Grupo de
Teatro Clowns de Shakespeare, de Natal, Rio Grande do Norte, que vem
consolidando-se como uma referência na região Nordeste e nacionalmente, e o
encenador Gabriel Villela, um dos mais importantes nomes do teatro
contemporâneo no país. O espetáculo parte do texto Ricardo III, de William
Shakespeare, e ganha a rua através do universo lúdico do picadeiro do circo,
dos palhaços mambembes, das carroças ciganas, criando um diálogo entre o sertão
e a inglaterra elisabetana. A pesquisa musical desenvolvida no trabalho parte
das "incelenças" (excelências), gênero musical tipicamente
nordestino, usualmente atrelado aos costumes fúnebres da região, condição muito
adequada à história de Ricardo, Duque de Gloucester, e sua trajetória de
assassinatos e traições rumo à coroa da Inglaterra. Agregando valor ao universo
da música nordestina, o rock clássico inglês traz um tempero especial que
conecta a Inglaterra Elisabetana com o Nordeste brasileiro contemporâneo, com
citações de bandas como Queen e Supertramp. O espetáculo foi criado no Rio
Grande do Norte, entre as cidades de Natal, capital praiana sede do grupo, e
Acari, na região do Seridó, sertão potiguar que serve de inspiração e fonte de
pesquisa para a construção do espetáculo. Fonte:
http://www.clowns.com.br/site2011/espetaculos/1/sua-incelenca-ricardo-iii-2010
(Data do acesso: 08/10/2012, às 10h).