sábado, 18 de abril de 2015

Convocatória para a composição do elenco


Preciso de atores ou atores/palhaços para formar o "Coro de Palhaços" do meu projeto do doutorado. Sei que a maioria está ocupada e cheia de projetos. Então, não se acanhe de me dizer "Não!".
Eu não consegui aprovar o meu projeto em nenhum edital. Logo, será feito com a cara e coragem de todos os integrantes do projeto.
Contudo, esqueci de informar que os ensaios acontecerão aos sáb e domingos das 14h às 18h
Vou montar a tragédia "Édipo Rei" de Sófocles. Contudo, o coro de anciãos/anciões/anciães, como queira, será trocado por um coro de palhaços.
Quem se habilita? Me envia um e-mail ou uma mensagem no meu facebook.
Espetáculo: Édipo Rei – o rei dos Bobos.
Livremente inspirado em "Édipo Rei" de Sófocles
Tradução: Domingos Paschoal Cegalla
Direção e Adaptação: Denis Camargo
Assistente de Direção: Lidiane Araújo
Atores palhaços: Pedro Mesquita, Veronica Moreno, Lupe Leal, Caísa Tibúrcio, José de Campos, Vanessa Di Farias, Willy Costa, Gustavo Gris, Paulo Gomes, Bhyt Costa, Mariana Neiva, Pedro Mesquita, Lorena Aloli, Andréa Patzsch, Mariana Borges, Luiz Alfredo Vannini, Marco Michelangelo, Ana Paula Monteiro, Hebert Costa, Bruna Soares, Stephanie Marques, Francisco Wanderley, Patricia Carvalho, Bruna Cordeiro, Bianca Vieira, Káshi Mello, Anna Cristo, Izabela Arrais Parise, Luiza Martins Costa, Pedro Caroca e Pedro Silveira.
Direção Musical: Marco Michelângelo
Assistente de palco: convidados
Figurinista: Andréa Patzsch
Iluminação: Moisés Vasconcelos
Produção: Denis Camargo
Assistentes: A designar
Produção de Vídeo: Gustavo Reinecken
Fotografia: Thiago Sabino e/ou convidado
Realização: BR S.A. – Coletivo de Artista

Sobre o projeto de pesquisa "Édipo rei - o rei dos Bobos"




 Édipo rei - o rei dos Bobos é um trabalho prático-teórico que analisa as implicações e as transformações dos procedimentos cômicos do palhaço durante a criação das cenas. As relações "trágico-cômico" ou "tragicomédia", o conceito de cômico-sério, territorialidade, recepção da estética cênica, conceito de conexão, "estado cômico", "triangulação", "processo colaborativo", "palhaçaria" e "espaços vazios". Essa pesquisa encontra-se vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Arte do Instituto de Artes, em nível de doutorado, da Universidade de Brasília, na linha Processos Composicionais Para a Cena, sob o título:

A poética da palhaçaria no gênero trágico:
Implicações e transformações nos procedimentos cômicos do palhaço para criação da cena contemporânea



Pesquisador: Denivaldo Camargo de Oliveira - Denis Camargo
Orientador: Professor Doutor Marcus Mota




INTRODUÇÃO

Esta proposta, de pesquisa teórico-prática, se propõe a investigar os procedimentos cômicos da palhaçaria utilizados na produção e criação cênica inspirada na tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles. Segundo Edith Hall (apud MOTTA, 2011, p. 4), os motivos de utilização de um texto grego trágico são vários e todos são pertinentes para a pesquisa desejada. Dentre alguns, destaco:
a) a reflexão  sobre o grau de proximidade ou de distancia entre a nossa sociedade e a cultura grega;
b) o estímulo pela reflexão acerca da moral;
c) sobre as questões éticas diversas: legitimidade do desejo de vingança, questionamento sobre os modos de julgamento dos criminosos e as vítimas de guerra, a premeditação de um crime e a relação entre os crimes;
d) relacionamento entre mãe e filho;
e) possibilidades e implicações dos procedimentos cômicos da palhaçaria na cena trágica.
Esta proposta de pesquisa pretende colocar em cena a tragédia grega - Édipo Rei, de Sófocles, no contexto dos processos composicionais para a cena contemporânea. Além disso, será realizada a produção científica, no departamento de Pós-Graduação da UnB, para aquisição do grau de doutorado. Por outro lado, permitirá o desdobramento da minha pesquisa de mestrado ao propor uma reflexão da poética da palhaçaria, na busca de procedimentos cômicos e suas aplicações e implicações no gênero trágico. Ademais, serão utilizadas referências bibliográficas relacionadas a estudos sobre o trágico e as cenas moderna e contemporânea, realizados por Edith Hall[1], Helene P. Folley[2], Simon Goldhill[3], Patrícia Vasseur-Legangneux[4], Josette Féral[5], Freddy Decreus[6], Rush Rehm[7], Marcus Mota[8], Gilson Motta[9], Linda Hutcheon[10].  Por outro lado, visto pelo contexto da poética da palhaçaria e da comicidade propostos por Pierre Etaix[11], Henri Bergson[12], Demian Moreira Reis[13], Marcus Mota[14], Luís Otávio Burnier[15], Gilberto Icle[16], Martin Esslim[17], entre outros.
Gilson Motta (2011, p. 14 - 78), em O espaço da tragédia, realiza um precioso estudo sobre a presença de textos trágicos na cena moderna e contemporânea no Brasil. Motta ainda complementa:
 deparamo-nos com uma tradição teatral que envolve, por um lado, diversas formas e técnicas de representação, tais como um modelo de construção dramática, a fusão das artes, a convivência do épico e do dramático, a presença do discurso poético, a possibilidade de diferentes formas de jogo para o ator; por outro lado, essa tradição também nos aponta para uma série de conceitos e temas, como a catarse, o herói, a representação do patético, o trágico, entre outros. (MOTTA, 2011, p. 12). 
Outra referência teórica importante para essa pesquisa é Dionysus since 1969: Greek Tragedy at the Dawn of the Third Millenium (Dionísio desde 1969: Tragédia Grega na Alvorada do Terceiro Miliênio), organizado por Edith Hall, Fiona Macintosh e Amanda Wrigley. Edith Hall reune diversos estudiosos da tragédia grega e, sua obra encontra-se dividida em seções temáticas, definindo quatro categorias em torno das quais se estabelece o discurso de resgate da tragédia grega na pós-modernidade:
a) Social:  relaciona-se à temática da liberação sexual e à discussão da sexualidade por intermédio do texto antigo;
b) Político: diz respeito aos diversos conflitos internacionais que marcam a vida contemporânea;
c) Teatral: relaciona-se aos elementos específicos da Estética teatral, no caso, da Palhaçaria;
d) Intelectual: relacionado aos conceitos presentes no teatro antigo, por exemplo, as relações entre o emotivo e a razão, entre religião e pensamento metafísico.
Com o intuito de aprofundar a pesquisa obtida no mestrado e de ampliar o seu território, agora mergulharei no processo criativo da poética da palhaçaria, investigarei os procedimentos cômicos utilizados pelos palhaços e suas implicações em relação ao confronto de gênero da linguagem cênica, do trágico e do cômico. A utilização de obra grega clássica Édipo Rei, de Sófocles, tem o objetivo de encontrar o discurso universalista e o intuito de produzir a comicidade da palhaçaria. Muitos pesquisadores, filósofos, autores e diretores teatrais, literatos e estetas questionaram e ainda questionam essa herança cultural da tragédia grega e suas influências estéticas na cena contemporânea. Em Teorias do Teatro, Marvin Carlson destaca alguns desses estudiosos que abordaram esse tema no decorrer do século xx, dentre eles: Georg Lukács, Max Scheler, Walter Benjamin, Gilbert Murray, Albert Camus, Eugène O'Neill e Roland Barthes.
Marcus Mota ressalta que o teatro grego era constituído de múltiplas atividades cênicas: partes faladas, recitadas, dançadas e cantadas. As partes cantadas e dançadas eram executadas tradicionalmente pelo coro e corifeu (MOTA,1998, p.15). Os procedimentos utilizados pelo palhaço para abordar essas múltiplas atividades cênicas norteará as reflexões dessa pesquisa. Para tanto, propõe-se reconhecer certos procedimentos da palhaçaria, suas aplicações e implicações, na criação cênica contemporânea que tem no texto trágico o suporte para o processo criativo.
Édipo Rei  passará por um processo de adaptação,  sobre adaptações de obras clássicas para a cena, Linda Hutcheon (2011), analisa diversos elementos estruturais, como a paródia, a ironia, a narração e a adaptação, sempre relidos em nova chave, pois geram novas possibilidades formais de criação. Do ponto de vista da produção, a autora diz que é um ato criativo que opera um processo específico de leitura, interpretação e recriação a partir de uma obra anterior. Frente a essa primeira familiarização com o conceito de adaptação e à variedade das concretizações do fenômeno, Linda Hutcheon também chama atenção para a impossibilidade de uma releitura neutra (como a que o discurso da “reconstituição histórica” tenta asseverar), a pensadora canadense resume: “O contexto pode modificar o sentido, não importa onde ou quando”. (HUTCHEON, 2011, p. 147).
Por outro lado, essa obra grega clássica sofrerá um confronto com a arte da palhaçaria. Esta propõe um compromisso com o absurdo, com a lógica do palhaço, com a inversão do discurso, o prazer, a capacidade do humor, com o nonsense, a paródia, o absurdo, a presença da triangulação nas ações do palhaço, a improvisação, a liberdade do espírito, entre outras.
Acredito que essa pesquisa colocará dois elementos em confronto, a questão da consciência trágica, oriundo do texto trágico, com o da lógica do palhaço calcada no estado cômico.
O trágico ou a consciência trágica - consciência do dilaceramento , da insignificância, do absurdo, da divisão e  separação radical, da ausência de fundamento - emerge também desse novo teatro, que terá ainda as práticas e teorias de Brecht e Antonin Artaud como estéticas determinantes. (MOTTA, 2011, pag. 18).

            Por outro lado Miller diz: – O palhaço é poesia em ação (MILLER, 1948, p. 14). E acrescenta: – Ele é a história que desempenha (MILLER, 1948, p. 14). Focando nessa questão da ação do palhaço, agrego a referência de Gilberto Icle sobre o assunto:

Ao pensar a ação cômica, logo surge a imagem da poesia. Não uma poesia de palavras, mas uma poesia de ações. E se a poesia é uma seleção metafórica que toca e encanta, então, a ação clownesca, plena e construída a partir da experiência profunda, é uma poesia em ação, uma metáfora do homem como homem, perdido em sua humanidade. (ICLE, 2006, p. 44).
            Ainda acrescenta,
O clown age e pensa um pouco mais lento que o agir e o pensar cotidiano,  o que caracteriza a sua ação. A "personificação das coisas e partes do corpo" é outra noção importante. Em geral, o clown tem pouco controle sobre o mundo que o cerca, e sua ação está mediada por este pensar animista. (ICLE, 2006, p. 16).
   Contudo, o trabalho do palhaço não está calcado apenas nas ações físicas do ator/cômico que o desempenha. É preciso sublinhar uma sutil diferença entre o que se chama de estado e de ações cômicas do palhaço. É comum que todos riam de um palhaço, mesmo que ele não faça nenhuma ação física relacionada ao tempo e espaço, mesmo que não tenha ação. O palhaço exemplifica a existência do seu "estado" no trabalho do ator. Para Icle, isso pode ser explicado de duas formas:
Na primeira poderíamos compreender que esses estados se caracterizam por microações que, embora não sendo perceptíveis ao observador, existem no corpo do ator, ocasionando um fluxo de energia que altera a presença cotidiana e resulta numa alteração da percepção que o observador tem do ator. Uma segunda explicação poderia ser entendida como o resultado da ação, nesse caso, um conjunto de ações físicas provocaria como resultado o acionamento de determinadas energias corpóreo-vocais, que configurariam, então, a percepção de um estado alterado no corpo do ator. (ICLE, 2006, p. 17).
A escolha da poética da palhaçaria me ajudou a determinar um limite bastante específico nesta pesquisa para considerar as abordagens nas questões de gênero. O texto trágico viabilizará uma espécie de moldura para a pesquisa do atores/palhaços, ampliará o foco do seu trabalho no campo da atuação e de suas ações físicas. Por outro lado, o espírito libertino do palhaço, o estado lúdico e espontâneo, o nonsense, o absurdo textual e comportamental, a paródia, a inversão de valor do discurso, favorecerão os procedimentos utilizados para gerarem a comicidade da palhaçaria. Contudo, acredito que haverá um choque de linguagem e de gênero. Trágico X Cômico. E serão as implicações/entraves, em relação aos procedimentos cômicos dos palhaços, que comporão o meu objeto de estudo.
Patrice Pavis em Dicionário do Teatro  destaca a questão da poética dos gêneros, para ele   'um gênero é constituído - além das normas exigidas pelas poéticas - por um conjunto de codificações que informam sobre a realidade que se supõe que o texto represente, que decidem sobre o nível de verossimilhança da ação' (PAVIS, 1999, p. 182),. Diante dessa perspectiva de gêneros, quais são/serão as aplicações e implicações dos procedimentos cômicos enfrentadas pelos atores/palhaços? A utilização de um gênero trágico viabiliza ou dificulta a abordagem do gênero cômico?
No Brasil, temos experiências concretas de grupos de teatro que já se utilizaram de textos trágicos para realizarem os seus processos criativos com resultados cômicos. A exemplo, o grupo Galpão/MG que montou Romeu e Julieta[18] de William Shakespeare em parceria com o diretor Gabriel Vilela. Em 1993 ou 1994, assisti o espetáculo Romeu e Julieta, do grupo Galpão, na praça de frente ao Conjunto Nacional e lembro-me de rir em diversos momentos e de diversas situações em que os personagens se encontravam. Outro espetáculo assistido é o Sua Incelença, Ricardo III[19], fruto do encontro do grupo Clowns de Shakespeare com Gabriel Villela, nesse processo criativo o diretor e o grupo colocam em fricção a fábula shakespeariana com a cultura popular nordestina.
Coloco em referência esses dois processos criativos porque eles servirão de base para coleta de informações acerca dos procedimentos cômicos utilizados pelos atores e de suas implicações em relação à questão do gênero trágico das obras. Pretendo entrevistar os atores dos dois grupos mencionados para levantar essas questões e coletar as suas impressões, procedimentos e dificuldades encontradas durante o processo criativo. Por outro lado, utilizarei também os relatos dos atores/palhaços que participarão do processo criativo da obra Édipo Rei de Sófocles com o objetivo de traçar recorrências/similitudes entre eles. 
Diante de referências práticas e teóricas apresentadas pela longa tradição teatral, desejo focar essa pesquisa numa questão mais atual que é a do riso em relação ao processo de identificação com a desgraça do outro, e, que tem, nesse outro, a representação da desgraça em si - o palhaço.

JUSTIFICATIVA

            Essa pesquisa se justifica na sua proposta de analisar o elemento trágico revisto numa dupla direção, onde se fundem o elemento existencial, de caráter universalista,  político e social, de características mais tópicas, ou seja, o universo do trágico e o elemento da estética da palhaçaria com seus procedimentos que geram a comicidade e o riso do espectador. Propõe-se um espaço de realização e reflexão de obras para a cena numa abordagem global, utilizada como metodologia para o processo criativo, tornando possível a compreensão das etapas fundamentais de uma montagem cênica. E, principalmente, aproximando-a da atividade de pesquisa.
            Ao utilizar questões célebres, localizadas na obra desse autor mundialmente conhecido, e utilizada como ponto de partida para o processo criativo teatral, esta pesquisa viabilizará o diálogo entre as questões individuais e coletivas vividas pelo grupo de atores/palhaços escolhidos para a execução do trabalho.
            Os porquês da utilização de uma obra grega trágica para um processo criativo da arte da palhaçaria contemporânea são muitos. Contudo, a montagem de uma obra grega sempre envolve uma relação de conflitos entre a tradição e o novo. Por isso, Sérgio Motta relata:
aquilo que a tragédia grega põe cena é justamente o trágico: um mundo em conflito, um mundo dividido entre as antigas tradições e concepções míticas e a nova ordem política. O original na tragédia grega é justamente a invenção de uma visão e de um sujeito trágicos, os quais surgem no interior deste mundo em conflito. (MOTTA, 2011, p. 10).
            Justifica-se também na proposta de reflexão acerca da questão de gênero trágico teatral e sua influência nos procedimentos do trabalho do ator/palhaço e no que essa influência altera no resultado da estética da palhaçaria. Essas questões são fundamentais quando se pensa na encenação do texto trágico, pois dizem respeito a modos diferentes de se relacionar com o passado e com as estéticas cênicas. Trata-se de fazer uma reflexão sobre o grau de proximidade ou de distância entre a nossa sociedade e a cultura grega. 
            Que procedimento deve ser utilizado pelos palhaços para gerar o humor, o riso e o encantamento do seu público? Onde devem ser aplicados e quais são as suas implicações no processo criativo na poética da palhaçaria contemporênea? O ator/palhaço pode pensar sobre o efeito dessa frase que diz que "a tragédia de um palhaço é magnífica!"[20] e deve saber que o gênero trágico oferece uma situação concreta, clara e forte para ele criar ou desenvolver procedimentos e efeitos cômicos (gags[21]) de seu trabalho. Por outro lado, até que ponto a figura do diretor influencia e altera esses procedimentos? Existe uma desterritorialização na função de diretor na poética da palhaçaria?
            Penso, a princípio, que este trabalho poderá contribuir para que artistas cênicos possam conhecer um pouco mais das relações entre os textos trágicos e a composição de espetáculos cômicos, assim como acompanhar a discussão contemporânea que envolve esta questão.

OBJETIVOS

Objetivo Geral:

O presente trabalho tem como objetivo geral reunir os principais conceitos de comicidade/procedimentos cômicos, utilizados pela figura do palhaço, e correlacioná-los com o entendimento prático numa montagem de uma tragédia grega que implica um pensar sobre este elemento trans-histórico inventado pelos gregos, isto é, um sujeito trágico, por intermédio do qual o próprio homem é problematizado.
         
 Objetivos específicos:

·      Reunir, em material conciso, as principais discussões sobre o conceito de tragédia e palhaçaria na atualidade;
·      Compreender como a palhaçaria contemporânea dialoga com a tradição do gênero trágico;
·      Investigar grupos teatrais brasileiros que desenvolveram técnicas próprias para a construção de suas poéticas cênicas e seus procedimentos;
·      Mapear as implicações e consequências desses procedimentos cômicos nas abordagens do gênero trágico para a atualidade;
·      Promover estudo epistemológico do conceito de palhaçaria para fins didáticos.


METODOLOGIA

A primeira parte do trabalho a ser desenvolvido ao longo da pesquisa será uma cartografia dos conceitos de gênero trágico e cômico baseada no estudo teórico dos processos, livros, revistas, artigos especializados, dissertações de mestrado e doutorado que tangem o assunto. Na pesquisa  já realizada pude perceber que o material existente sobre essas questões, em português, é considerável, embora a maior parte ainda não esteja publicada oficialmente por editoras. No entanto, este não será um problema, pois pode-se encontrá-lo nas universidades, em forma de dissertações, teses e em revistas especializadas em forma de artigos.
A segunda parte consistirá na pesquisa dos processos criativos com integrantes do grupo Galpão/MG e Clowns de Shakespeare/RN, dos quais farão parte o diretor de teatro (Gabriel Vilela) e atores integrantes dos dois grupos que participaram da montagem dos espetáculos citados. Esta parte da pesquisa tem o objetivo de realizar entrevistas gravadas ou por meio de recursos audiovisuais que auxiliarão no processo de compreensão dos procedimentos cômicos utilizados pelos atores em relação ao processo criativo, construção do espetáculo e direção cênica. O objetivo é de além de ampliar os conhecimentos do assunto, entrevistar pessoas envolvidas nas práticas teatrais, identificar eventuais confusões conceituais e, se existirem, mapear os tipos ou modalidades.
A terceira parte da pesquisa se fará no processo de criação e produção de obra para a cena. Para esta parte, reunirei um grupo de atores/palhaços que participarão do processo criativo do espetáculo Édipo Rei - o rei dos Bobos,  livremente inspirado em Édipo Rei de Sófocles.Nesse momento registrarei os procedimentos utilizados na abordagem do texto trágico e sua transposição para o gênero cômico, especificamente, a arte da palhaçaria. Além de mapear as aplicações dos procedimentos cômicos dos atores, desejo conhecer as implicações e dificuldades de realização.
Na quarta parte pretendo analisar o impacto do resultado cênico da obra em relação à sua receptividade, por parte do espectador. As relações entre obra e espaço cênico, obra e intérprete, obra e espectador, obra original e obra adaptada e outras questões que poderão surgir no decorrer da pesquisa.
Na quinta parte procurarei realizar um processo comparativo nas abordagens das obras criadas pelo grupo Galpão, o grupo Clonws de Shakespeare e o grupo de palhaços que realizarão o espetáculo Édipo Rei - o rei dos Bobos.




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[1]                 Dionysus since 1969.
[2]           Modern Performance and Adaptation of Greek Tragedy, American Philological Association, disponível em: <http://www.apaclassics.org/Publications/PresTalks/FOLEY98.html>.
[3]           How to stage a Greek Tragedy Today.
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[6]           Os Gregos na Cartoucherie, Folhetim, n. 14.
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[8]                 Teatro grego: Novas perspectivas (2012); A definição de espetáculo em Sófocles: a correlação entre dramaturgia musical e a representação de figuras isoladas (2003). Artigos disponibilizados no site: <http://www.marcusmota.com.br/conteudo.php?cat=29>.
[9]                 O espaço da tragédia - na cenografia brasileira contemporânea (2011).
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[11]               Il faut appeler un clown un clown (2002).
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[13]               Caçadores de riso: o mundo maravilhoso da palhaçaria. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA. Orientação profa. Doutora Cleise Furtado Mendes. Salvador, 2010.
[14]               Comicidade e cinema mudo: Dramaturgia de esquetes cômicos (2011). Artigo disponibilizado no site: <http://www.marcusmota.com.br/conteudo.php?cat=29>.
[15]          A arte de ator - da técnica a representação (2010).
[16]               O ator como xamã (2006).
[17]                O teatro do Absurdo (1968).
[18]         Espetáculo Romeu e Julieta (1992 – 2012). 
Ao atualizar o sentido da mais conhecida história de amor da humanidade, a concepção de Gabriel Villela para o Galpão transpôs a tragédia dos dois jovens apaixonados para o contexto da cultura popular brasileira. Esse conceito sustenta todo o espetáculo, especialmente na figura do narrador, que rege toda a ação com uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa e no sertão mineiro. 
A montagem da tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira do grupo. O encontro com Gabriel Villela significou a ousadia de fazer um clássico na rua. Ao texto original do espetáculo, na clássica tradução de Onestaldo de Pennaforte, juntam-se elementos da cultura popular brasileira e mineira, presente nas serestas e modinhas, nos adereços e figurinos que remetem ao interior profundo do Brasil. Desde sua estréia na histórica cidade de Ouro Preto, em 1992, "Romeu & Julieta" construiu uma carreira de sucesso de público e crítica, no país e no exterior. Visto duzentas e setenta e duas vezes, em quase sessenta cidades brasileiras e em nove países estrangeiros - Espanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai, Venezuela e Colômbia - em teatros, estádios ou, preferencialmente, em praças públicas, por platéias oscilando entre trezentos e quatro mil espectadores. Em julho do ano de 2000, coroou sua trajetória com uma série de apresentações em Londres, no palco do Shakespeare’s Globe Theatre, onde recebeu uma consagradora acolhida do público inglês. (Fonte: http://www.grupogalpao.com.br/port/espetaculos/romeu_sinopse.php) (Acesso: 08/10/2012, às 09h.).
[19]         O espetáculo Sua Incelença, Ricardo III marca o encontro entre dois nomes de destaque na cena teatral brasileira: o Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare, de Natal, Rio Grande do Norte, que vem consolidando-se como uma referência na região Nordeste e nacionalmente, e o encenador Gabriel Villela, um dos mais importantes nomes do teatro contemporâneo no país. O espetáculo parte do texto Ricardo III, de William Shakespeare, e ganha a rua através do universo lúdico do picadeiro do circo, dos palhaços mambembes, das carroças ciganas, criando um diálogo entre o sertão e a inglaterra elisabetana. A pesquisa musical desenvolvida no trabalho parte das "incelenças" (excelências), gênero musical tipicamente nordestino, usualmente atrelado aos costumes fúnebres da região, condição muito adequada à história de Ricardo, Duque de Gloucester, e sua trajetória de assassinatos e traições rumo à coroa da Inglaterra. Agregando valor ao universo da música nordestina, o rock clássico inglês traz um tempero especial que conecta a Inglaterra Elisabetana com o Nordeste brasileiro contemporâneo, com citações de bandas como Queen e Supertramp. O espetáculo foi criado no Rio Grande do Norte, entre as cidades de Natal, capital praiana sede do grupo, e Acari, na região do Seridó, sertão potiguar que serve de inspiração e fonte de pesquisa para a construção do espetáculo. Fonte: http://www.clowns.com.br/site2011/espetaculos/1/sua-incelenca-ricardo-iii-2010 (Data do acesso: 08/10/2012, às 10h).
[20]               "La tragedie un clown, c'est magnifique!" (ROCHETTE, 2008, p. 09).
[21]               Do inglês norte-americano gag: efeito burlesco. A palavra é empregada em francês  desde a década de 20. A gag é, no cinema, um efeito ou um esquete cômico que o ator parece improvisar e que é produzido viualmente, a partir de objetos, de situações inusitadas: é, "na gíria dos estúdios, um achado irresistível que revigora e multiplica o riso num filme cômico"(B. CENDRARS em L'Homme Foudroyé). No cinema, como no teatro, o ator cômico inventa, às vezes, jogos de cena, Iazzis, que contradizem o discurso e perturbam a percepção normal da realidade. (PAVIS, 1999, p. 181).