ÉDIPO REI – o rei dos Bobos[1]
Livremente inspirado em: ÉDIPO REI de Sófocles
Tradução: Domingos Paschoal Cegalla.
Adaptação: Denis Camargo
Colaboração: Lidiane Araújo e Hugo Leonardo
Concepção e Direção: Denis Camargo
2015
Abertura
Após
a chegada e instalação do espectador, o Coro canta:
Boa
noite povo que eu cheguei!!!
Mais
outra vez pra’presentar nossa tragédiaaaa!
Eu
vou cantar com muita agonia
Vou apresentar nossas mazelas pra Brasília!
Boa
noite povo que eu cheguei!!!
Mais
outra vez pra’presentar nossa tragédiaaaa!
Eu
vou cantar com muita agonia
Vou apresentar nossas mazelas pra Brasília!
Boa
noite povo que eu chegueiiii!!!
Nóis
outra vez apresentar nossas tragédiaaaa!
Boa
noite povo que eu chegueiiii!!!
Nóis
outra vez apresentar nossas tragédiaaaa!
Boa
noite povo que eu chegueiiii!!!
Nóis
outra vez apresentar nossas tragédiaaaa!
Boa
noite povo que eu chegueiiii!!!
Nóis
outra vez apresentar nossas tragédiaaaa!
Boa
noite povo que eu cheguei!!!
Mais
outra vez pra’presentar nossa tragédiaaaa!
Eu
vou cantar com muita agonia
Vou apresentar essas mazelas pra Brasília!
Tragédia,
tragédia!
Tragédia,
tragédia!
Ao finalizá-la, muda-se o ritmo, toques de
atabaque, e o Coro se coloca em outro estado. Conversão de andamento e ritmo sonoro,
alteração do Coro no espaço cênico. Todo o Coro cai e inicia um processo de
lamentação coletiva:
CORO
“Ai,
ai de mim! Ai que sofro! Ai de mim que morro de
sede!” (Após essa fala cada integrante do Coro fala algo que gostaria de
beber). Essa frase é repetida três vezes, sempre dirigida para o espectador e
em deslocamento coletivo, como um cardume, pelo espaço cênico.
“Ai,
ai de mim! Ai que sofro! Ai de mim que
tenho não tenho meio de transporte!” (Após essa fala cada integrante do Coro
fala algo que gostaria de ter). Essa frase é repetida três vezes, sempre
dirigida para o espectador e em deslocamento coletivo, como um cardume, pelo
espaço cênico.
“Ai,
ai de mim! Ai que sofro! Ai de mim que não tenho saúde!” (Após essa fala cada
integrante do Coro fala algo que gostaria de curar). Essa frase é repetida três
vezes, sempre dirigida para o espectador e em deslocamento coletivo, como um
cardume, pelo espaço cênico.
“Ai,
ai de mim! Ai que sofro! Ai de mim que tenho dinheiro!” (Após essa fala cada
integrante do Coro fala algo que gostaria de fazer caso tivesse muito
dinheiro). Essa frase é repetida três vezes, sempre dirigida para o espectador.
Aqui o Coro se divide em dois grupos e realiza essa divisão sem parar de se
deslocar pelo espaço cênico.
“Ai,
ai de mim! Ai que sofro! Ai de mim que morro de fome!” (Após essa fala cada
integrante do Coro fala algo que gostaria de comer). Essa frase é repetida três
vezes, sempre dirigida para o espectador e, ao final, o Coro começa a cair no
chão. O coro se aprofunda no processo da lamúria ao cair e se levantar até a
chegada do Édipo Rei.
Édipo
Ó filhos, meus filhos,
filhos de Tebas, por que choram? Agora a pouco, todos estavam se divertindo,
cantando e agradecendo aos deuses. Filhos, meu filhos, filhos de Édipo, filhos
de Tebas, vejam bem, em vez de enviar mensagens
ao vosso encontro vim eu mesmo, Édipo Rei, famoso, para inteirar-me do
motivo que vos trouxe ao meu palácio. Eia,
anciã, te dou a palavra; pois, como anciã e sacerdotisa, és digna de falar em
nome desses suplicantes. Por que estão ali prostrados? Algum temor? Desejam
alguma coisa? Fala, anciã, que aqui estou eu para ajudá-los. Eu seria um homem
desprovido de sentimento, se não me
compadecesse e não me comovesse diante desse espetáculo.
GRÃ-SACERDOTISA
Bem vês, Édipo Rei, Rei Édipo, Édipo... Rei, a idade dos que estão
aqui junto a teus altares: uns crianças; outros velhos abatidos pelos anos; eu,
sacerdotisa de |Zeus como estes palhaços, a nata da juventude tebana. A cidade
de Tebas, como tu mesmo vês, anda extremamente agitada. Tebas vai se
acabando à proporção que definham e
apodrecem os frutos das plantas, morrem os rebanhos nos pastos e os ventres das
mulheres vão se tornando estéreis. E, como se esses males não bastassem, Apolo,
é esse Deus que jorra fogo, sob forma de peste mortífera contra a cidade de
Tebas. Na verdade, nem eu nem estes cidadãos,
esses belos palhaços, te julgamos igual aos deuses pelo fato de termos vindo às
portas do teu palácio como suplicantes; porém consideramos-te o mais poderoso e
capaz dos homens para nos valer nas
vicissitudes da vida e nas funestas intervenções dos deuses. Com efeito,
foste tu, o forasteiro, que nos livrou da cruel esfinge. Por isso, ó poderoso
Édipo, nós todos te pedimos, nos encontres um remédio que tenhas conhecido, ou
ouvido do oráculo de um deus ou consultado algum mortal, porquanto eu sei que
são os conselhos dos homens experientes os que alcançam melhor êxito. Eia,
pois, nobilíssimo soberano, restaura essa cidade. Vamos! Reflete bem! Graças a
tua coragem no passado, Tebas te aclama hoje como o seu salvador. Restaura essa cidade,
devolva-lhe a estabilidade e segurança. Rei Édipo, Édipo
Rei, Édipo... Rei, tu livraste Tebas da Esfinge. Sejas também agora o mesmo que antes, livra
a cidade dessa desgraça.
ÉDIPO
Ó filhos, meus filhos,
filhos de Tebas, filhos dignos de compaixão! Viestes a mim para me pedir coisas
que me são conhecidas, muito bem conhecidas. Bem sei que todos sofreis, mas
dentre vós que sofreis não há ninguém que sofra mais que eu. Saibam que tenho
chorado muitas lágrimas e percorridos muitos caminhos nas divagações do meu
pensamento inquieto e preocupado. Depois de muito meditar, só um remédio
encontrei, e este foi aplicado imediatamente: enviei meu cunhado Creonte para
consultar o oráculo de Apolo para buscar uma resposta sobre o que devo ou não fazer
para salvar esta cidade. Porém, a demora
de Creonte já me preocupa demasiado. Aflige-me tanta a sua demora, pois já se
esgotou o tempo razoavelmente necessário para Creonte ir e voltar com essa
resposta.
GRÃ-SACERDOTISA
Precisamente enquanto
estavas falando a respeito de Creonte, estes jovens me anunciaram que ele está
chegando.
ÉDIPO
Soberano Apolo, praza
aos céus que o meu cunhado Creonte, que ali vem de olhar brilhante, nos traga
ao menos uma boa resposta!
GRÃ-SACERDOTISA
Sim, pelo seu aspecto,
pode-se conjecturar que ele traz boas notícias; do contrário, não viria com a
cabeça coroada de frutífero loureiro.
ÉDIPO
Agora mesmo saberemos.
Senhor Creonte, meu cunhado, que resposta do oráculo do deus Apolo nos trazes.
Creonte chega da
viagem e entra em cena. Traz à cabeça uma coroa de loureiro, sinal de boas
notícias. Chega cantando:
Tomara que chova, três dias sem parar! A minha
grande mágoa é que em Tebas não tem água e eu preciso me lavar! Tomara que
chova, três dias sem parar! A minha grande mágoa é que em Tebas não tem água e
eu preciso me lavar!
Bebeu água? (CORO: Não!) Tá com sede? (CORO:
Tô!) Olha, olha, olha, olha, olha o bacanal! olha o bacanal! Olha, olha, olha o
bacanal! Você vai suar legal!
Tem festa no bacanal
O povo a se querer
Eu vou levar
meu bilau
Pra tocar uma pra você
CREONTE
Trago boas notícias. (Festeja)
Chegue! Chegue! Chegue! Jocasta Louca, Jocasta louca, Jocasta
louca pra trepar!
ÉDIPO
Mas qual é a resposta
do oráculo? Em suma, tuas palavras não me deixaram nem mais confiante nem menos
temeroso.
CREONTE
Se tu desejas ouvir-me
na presença de todos, estou pronto para falar; mas se preferes, adentrarmos no
palácio.
ÉDIPO
Não! Fala na presença
de todos, pois mais me aflijo pela causa destes cidadãos do que por minha
própria vida.
CREONTE
Seja-me permitido
dizer tudo quanto ouvi da parte do deus. Apolo soberano explicitamente nos
ordena que esconjuremos do solo pátrio uma mancha impura que nele se está
pastando e que não mais alimentemos um mal que não tem cura.
ÉDIPO
De que mal se trata?
Como esconjurá-lo?
CREONTE
Como esconjurá-lo? Banindo
o criminoso ou lavando o crime com a morte, porque o sangue que foi derramado é
a tormenta que agita a cidade. “O pranto dessa cidade?”
CORO
Sou eu!
CREONTE
O sangue que foi
derramado?
CORO (Para Creonte)
É seu!!!
ÉDIPO
Qual é o homem cuja
morte deve ser vingada?
CREONTE
Rei Édipo, Édipo Rei,
Édipo... Rei (pausa), foi outrora soberano desta terra, o Rei Laio, que governou
a nossa cidade antes de ti, já ouviu falar.
ÉDIPO
É já ouvir falar, mas
nunca o vi pessoalmente.
CREONTE
O oráculo deus Apolo
ordena que castiguemos com violência o assassino do Rei Laio, não importa quem
seja.
ÉDIPO
Onde estará esse
assassino?
CREONTE
Aqui mesmo (aponta para Édipo), em nossa terra. O
que se procura acha-se; o que, por negligência, não se procura perde-se. (Coro
aplaude Creonte.)
ÉDIPO
Onde o Rei Laio foi
assassinado? Em sua própria casa? Na cidade? Em terra estrangeira?
CREONTE
Once upon time the Kings Laio said... I’m sorry! Estava falando grego arcaico! Certa
vez, disse o Rei Laio que se ausentaria de Tebas para ir consultar o oráculo de
Apolo. Depois desse dia, nunca mais voltou à pátria.
ÉDIPO
Nenhum
mensageiro ou acompanhante de viagem presenciou o crime? Não houve uma
testemunha que pudesse dar alguma informação?
CREONTE
Foram
todos mortos, menos um... sim! Que fugiu de medo e nada viu, mas alguma coisa
saberá. “Que será que será? Que bole por dentro, que será que será? Que me
queima a pele, que será que será?”...
ÉDIPO
Creonte!
Que coisa? Porque uma coisa é uma coisa, e, outra coisa, é outra coisa. O
conhecimento de uma coisa pode revelar-nos muitas outras coisas. (Coro aplaude
Édipo Rei)
CREONTE
O
sobrevivente afirmou que o Rei Laio não foi assassinado e nem morto por um só bandido,
mas por uma quadrilha de bandidos.
ÉDIPO
Mas como esses
assassinos poderiam chegar a tais extremos de audácia, sem que o crime fosse
planejado e pago com o dinheiro de algum tebano?
CREONTE
Era o que se pensava. Não
sei, o certo é que o Rei Laio morreu e não teve uma alma viva que se levantasse
para vingá-lo, unzinho sequer!
ÉDIPO
Creonte, que mal te
impediu de investigar esse crime, deixando assim morto e esquecido o rei Laio?
CREONTE
Que mal me impediste?
Que mal me impediste? (tapas) A enigmática Esfinge. (Grito) Com seus cantos
ambíguos e seus indecifráveis enigmas, constrangia-nos a investigar esse
assassinato envolto em mistério, sangue, medo, morte, medo e sangue!
ÉDIPO
Pois eu hei de trazer
de novo à luz do dia a realidade desse crime, visto que tu Creonte, tão
nobremente não vos destes ao trabalho de vingar o morto. Eliminarei desta
cidade esta mancha abominável, esse assassino de Laio, seja ele quem for. E se
Apolo nos ajudar, seremos vitoriosos; caso contrário, estaremos perdidos. (Édipo entra no palácio com Creonte.)
CREONTE
Diga aonde você vai,
que eu vou correndo! Vou correndo, vou correndo, vou correndo, vou correndo!
GRÃ-SACERDOTISA
Levantemo-nos, filhos.
Nosso soberano promete fazer todas as coisas por amor das quais viemos aqui.
Que Apolo, que nos envia esses oráculos, seja também nosso salvador e ponha
termo aos nossos males.
Os suplicantes levantam-se e, precedidos pela sacerdotisa,
retiram-se em ordem. Na orquestra entram os componentes do coro para cantar os
versos do párodo, a parte lírica da tragédia grega, cantada pelo coro ao entrar
em cena.
PÁRODO
(CANTO DE ENTRADA DO
CORO)
CORO
Ó doce palavra de Zeus,
Ó
Apolo salvador,
invocamos-lhe
a altos brados!
angustiados e pávidos
meu espírito estremece
temendo
o destino de hoje ou de amanhã
tu
me hás de reservar
fala, dize-me, ó oráculo imortal
Ó Por piedade, brilhe sobre
nós
que
imploramos com angústia, a vossa proteção
Ó Atena imortal,
filha
de Zeus o grande pai,
E
protetora desta terra,
E tu também, irmão Apolo,
valei-me em nossa angústia
assim
como outrora,
quando
a terrível Esfinge
avançou contra Tebas,
afastastes para longe
as
chamas da desgraça,
acudi também agora,
valei-me nosso Apolo!
(Pandeiro)
Males sem conta me acabrunham.
Enfermo está o meu povo agora
mente não encontra arma alguma
esconjura
o mal que nos aflora
Nem os frutos da nossa terra salvam,
Nem as mulheres das dô do parto se
libertam
Peste que mata inumeráveis vidas,
Cidade que despovoa e chora.
Não há deus que salva alma gemida,
Por socorro
nossa gente implora
Nem os frutos da nossa terra salvam,
Nem as mulheres das dô do parto se
libertam
Corifeu
I (fala para o povo)
Ao
mesmo tempo a cidade implora
aos deuses que ponham fim
aos nossos horrendos males
e atrozes
sofrimentos.
Corifeu
II (fala para o povo)
Acode,
pois, em nosso auxílio,
formosa
filha de Zeus,
e em nossos rostos apaga
as
sombras do infortúnio.
Ó
sábia Atenas,
formosa filha
de Zeus,
expulsa
o terrível Ares, Deus da guerra.
Coloque-o
pra correr
para longe de
Tebas.
Ó Zeus, nosso pai,
Senhor das leis e dos relâmpagos,
Ó
Soberano Apolo,
rogo que seu
arco e flecha
Se
atire contra o terrível Ares.
(Édipo entra em cena a
tempo de ouvir os versos finais do coro.)
ÉDIPO
Vejo que estão
dirigindo súplicas aos deuses. Se quiseres ouvir com benevolência as minhas
palavras e se puderem colaborar comigo no combate ao flagelo que nos aflige, conseguirão
o que imploram. Porém, devo declarar que sou estranho ao que se diz acerca do
assassino do Rei Laio. Então, sozinho eu não poderia ir muito longe nas minhas investigações. Por
isso, proclamo: qualquer de vós, cidadãos tebanos, que souber por mão de que
homem o Rei Laio foi assassinado, ordeno-lhe que me revele tudo, até mesmo se o
acusado for o próprio acusador. Se o culpado for desta terra, outro castigo não
sofrerá, senão o de ser banido desta cidade. Também proíbo qualquer habitante
desta terra, de que sou o rei supremo, que dê acolhida a esse homem, seja ele
quem for, não lhe dirija a palavra. Ordeno, pelo contrário, que todos o repilam
de suas casas como uma peste. Faço votos aos deuses que o criminoso seja
amaldiçoado e infeliz. E também peço aos deuses que, se esse homem estiver
debaixo do meu teto, com meu conhecimento e consentimento, sobre mim recaiam as
maldições que acabo de rogar. Como todos já sabem, há 15 anos que venho ocupando
o trono que rei Laio ocupou antes de mim, e com ele eu herdei esta coroa. E
Jocasta, a viúva do rei, tornou-se a minha esposa, meu prêmio, por eu ter
desvendado o enigma da Esfinge e salvado Tebas. Se a natureza não houvesse falhado e o rei Laio
tivesse gerado filhos, estes seriam meus irmãos. Mas, antes que vosso rei se
tornasse pai, o infortúnio da morte se abateu sobre ele. Diante disso, propugnarei
por esta causa como se o Rei Laio fosse meu pai; empregarei os esforços para
alcançar o autor do crime. E quanto a vós, vós que aprovais as minhas decisões,
seja a justiça a vossa aliada e que os deuses todos para sempre vos sejam
propícios.
Corifeu
Já que nos inclui em
tuas palavras, obrigando-nos a falar, falarei por todos, ó soberano: não
matamos, nem sabemos dizer quem matou. Foi Apolo que mandou dar busca ao réu, é
ele que deve dizer quem cometeu esse crime.
ÉDIPO
Dizes bem; mas homem
algum poderá forçar os deuses a fazer o que não querem.
CORO
Se consentes um
segundo conselho, te proponho o que, a meu ver, é pertinente e oportuno.
ÉDIPO
Até mesmo um terceiro,
se o tiveres.
Corifeu
Conheço, ó rei, um
sábio, um profeta tão perspicaz quanto Apolo em desvendar coisas secretas. É o
adivinho Tirésias. Se interrogado, talvez possa revelar toda a verdade, a
verdade nua e crua.
ÉDIPO
Não considero seu
conselho inútil, tanto assim, que já o fiz. A pedido de Creonte, enviei dois
mensageiros a procura desse vidente Tirésias. Aflige-me tanta demora deles,
pois já se esgotou o tempo razoavelmente necessário para eles irem e voltarem
com esse tal de Tirésias.
CORO
As vozes que destoarem
das de Apolo e Tirésias são infundadas, não passam de rumores, de boatos. Não
merecem nenhum crédito.
ÉDIPO
Que vozes?
CORO
Contam que
o rei Laio foi morto por estranhos viajantes.
ÉDIPO
Isso também ouvi.
Corifeu
Mas se o assassino
tiver só um pouquinho de temor, ouvindo as punições que contra ele fulminaste não
tardará em aparecer.
ÉDIPO
Quem pratica o mal,
palavras não aterrorizam.
CORO
Mas eis
que Tirésias já está chegando, não tardará descobri-lo. (Todos os olhos se viram para Tiréias, que chega conduzido por um jovem,
pois o adivinho é cego. Acompanham-nos os dois mensageiros.)
ÉDIPO
Ó cego Tirésias, que
penetras todas as coisas, as visíveis e as secretas, as terrenas e as celestes!
Só encontramos a ti, ó poderoso, como protetor e libertador dos nossos males. O
oráculo de Apolo foi consultado e respondeu que só vamos ficar livres de nossos
males, se descobrirmos os assassinos do Rei Laio, se os matarmos ou se os
banirmos da nossa terra. Não te negues a nos revelar o que sabes. Salva-te a ti
mesmo e à cidade, salva-me também a mim. Estamos em tuas mãos.
TIRÉSIAS
Ai de mim, infeliz de
mim! Como é horrível saber quando fora melhor não saber! Contudo, esqueci-me
desta verdade, que eu sabia tão bem. Do contrário, não teria vindo aqui.
ÉDIPO
O que há? Por que não
falas o que sabes?
TIRÉSIAS
Deixa-me voltar para
casa, que, assim, o fardo do destino será para ti e muito mais leve para mim.
ÉDIPO
Tirésias a tua recusa
em falar fere a justiça e o amor que deves a esta cidade, que te nutriu e
educou.
TIRÉSIAS
Em verdade, sinto que
o que dizes não é vantajoso para ti. E, para que eu também não me
prejudique.... (Tirésias faz menção de
retirar-se, deixando a frase incompleta por causa da intervenção do coro)
ÉDIPO
Não, pelos deuses! Se
tu sabes a verdade, não te retires. Todos nós te suplicamos humildemente.
TIRÉSIAS
Eu jamais falarei, porque
falar a verdade seria trazer à luz os teus males.
ÉDIPO
Tu sabes a verdade e
não queres falar?
TIRÉSIAS
Porque eu não quero
fazer sofrer nem a mim e nem a ti. Por que teimas em interrogar em vão? De mim
é que não tu saberás.
ÉDIPO
Quando tu vais resolver
falar? Até um coração de pedra encherias de cólera.
TIRÉSIAS
Édipo me censura, me
injuras, mas não vês que já estás colérico.
ÉDIPO
Quem não haveria de
encolerizar-se ouvindo semelhantes palavras com que desprezas esta cidade?
TIRÉSIAS
A verdade haverá de
manifestar-se por si mesma, embora eu a cubra com o meu silêncio.
ÉDIPO
Se a verdade há de se
manifestar, é preciso primeiro que a reveles para mim.
TIRÉSIAS
Podes acender-te em
ira, a mais feroz! Eu não direi mais nada.
ÉDIPO
Pois fica sabendo que
foste tu quem cometestes o crime, embora não tenha a tua mão vibrado o golpe.
TIRÉSIAS
(irônico) Verdade? Édipo, eu te intimo a
observar os avisos que promulgaste e, a partir de hoje mesmo, a não mais
dirigir a palavra nem a estes nem a mim, porque tu és o gênio maléfico e impuro
que contamina esta terra.
ÉDIPO
Como pensas fugir às
consequências dessa acusação?
TIRÉSIAS
Nada temo. A verdade é
a minha força.
ÉDIPO
E de onde veio essa
verdade? Sem dúvida que não foi da arte da adivinhação.
TIRÉSIAS
De ti mesmo...
ÉDIPO
De quem?
TIRÉSIAS
De ti mesmo, pois me
constrangeste a falar contra a minha vontade.
ÉDIPO
A falar o quê? Repete,
para que eu entenda melhor.
TIRÉSIAS
Incitas-me a falar? Não
compreendeste antes?
ÉDIPO
Não tanto que possa
afirmar que compreendi. Repete, pois.
TIRÉSIAS
Édipo, tu és o
assassino do homem cujo matador procuras.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO (Édipo Rei e Coro riem)
Asseguro-te que não te
alegrarás de haver proferido duas vezes tal insulto.
TIRÉSIAS
Devo dizer o resto
para acirrar a tua cólera?
ÉDIPO
Quando quiseres. Pois,
falarás em vão.
TIRÉSIAS
Édipo, declaro-te que,
sem que o saibas, que tu estás convivendo em torpíssima companhia com os teus e
que não vês a que ponto chegou a tua desgraça.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO
Acaso pensas poder
repetir impunemente semelhantes insultos?
CORO
Ohhhhhh!
TIRÉSIAS
Sem dúvida, se a
verdade tiver força.
ÉDIPO
A força da
verdade existe, menos em ti do que em
mim. Em ti nada disso existe, porque és cego da vista, dos ouvidos e do
entendimento.
CORO
Ohhhhhh!
TIRÉSIAS
Infeliz que tu és
Édipo, cobrindo-me de insultos que daqui a pouco todos os que aqui estão
presentes te lançarão em rosto!
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO
Tirésias, tu vives
imerso na eterna noite da cegueira, de modo que jamais poderás prejudicar nem a
mim nem a quem quer que goze da luz do
sol.
CORO
Ohhhhhh!
TIRÉSIAS
Édipo, não é teu
destino pereceres por minha mão, uma vez que o pode fazer o deus Apolo, a quem
cabe fazer cumprir todas essas coisas.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO
Essas coisas são
invenções tuas ou de Creonte?
CORO
Ohhhhhh!
TIRÉSIAS
Dano algum te faz
Creonte; tu, sim, és um mal para ele.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO (pega a coroa)
Ó
riqueza, ó realeza, quantas invejas aninhais em vós mesmas, nesta tão agitada
vida! Por causa desta coroa que a cidade me pôs na cabeça, que Creonte quer
destronar-me pela intriga, subornando, para tanto, este mago conspirador,
charlatão que na sua arte é cego. Se não, dize lá, vamos! Se és profeta, por
que é que nos tempos da Esfinge não descobriste nenhum meio para salvar esta
cidade. Eu, Édipo, Rei, Édipo Rei, que nada sabia venci a esfinge com a minha
inteligência e perspicácia. Este Édipo que tu agora te esforças para
destroná-lo. Ah Tirésias, se não fosses cego, eu te puniria para aprenderes a
não conspirar contra mim.
CORO
Parece-nos, ó Édipo,
rei, rei Édipo, Édipo Rei, que as palavras desse homem como também as tuas foram
inspiradas pela cólera. Não é isso o que é preciso. O que é preciso é resolver,
do melhor modo possível o oráculo do deus Apolo.
TIRÉSIAS
Embora
sejas rei, cabe a mim replicar de igual para igual. É um direito que eu também
tenho. Eu não sou, de forma alguma, teu escravo, mas sou o servo de Apolo.
Jamais Creonte será meu patrão, nem eu cliente dele. Tu me insultastes ao me
chamar de cego. Pois bem, ouve o que te digo: embora tenhas vista, tu não
enxergas o abismo de tua desgraça, nem onde moras, nem aqueles com quem moras. Acaso sabes de quem tu és filho? Sem que o tu saibas,
Édipo, tu és abominado por teus próprios pais, dos quais um ainda vive e o
outro já é morto. O duplo e terrível golpe de maldição de teu pai e de tua mãe
haverá de varrer-te desta terra um dia. Édipo, agora tu enxergas a luz, daqui a
pouco, teus olhos serão trevas.
ÉDIPO
Vai embora, cego
amaldiçoado! Por quê não te retiras mais deste palácio?
TIRÉSIAS
Eu, por minha vontade,
nem teria vindo se tu não me tivesses chamado.
ÉDIPO
Não sabia que irias nos
dizer tantas tolices porque se soubesse, jamais te chamaria ao meu palácio.
TIRÉSIAS
Na opinião dele, eu
sou um tolo, agora na opinião dos pais dele, os que o geraram, eu sou considerado
um sábio.
ÉDIPO
Os que me geraram? Espera. Qual foi o mortal que
me gerou?
TIRÉSIAS
Édipo, no dia que tu descobrires
quem te gerou, este dia irá te destruir.
ÉDIPO (Édipo Rei e Coro riem)
Eis-te novamente a
proferir coisas obscuras e enigmáticas.
TIRÉSIAS (com ferina ironia)
Édipo, tu não
consegues interpretar minha linguagem, logo tu, que és tão hábil em decifrar
enigmas.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO
Tirésias, acaso tu escarneces
daquilo a que devo a minha grandeza.
CORO
Ohhhhhh!
TIRÉSIAS
Foi precisamente essa
glória que te causou a ruína.
CORO
Ohhhhhh!
ÉDIPO
Se salvei Tebas da
terrível Esfinge (Grito), dou-me por satisfeito.
TIRÉSIAS
Quanto a mim, vou-me
embora.
ÉDIPO
Sim, vai te embora!
Porque a tua presença aqui só perturba e incomoda; indo embora, talvez não me
aborreças mais.
TIRÉSIAS
Se me
retiro é porque já disse aquilo a que vim e porque não tenho medo do teu
aspecto ameaçador. Saibas que tu jamais me poderás destruir. Asseguro-te com absoluta
certeza: o homem que há muito procuras, esse homem está aqui em Tebas, e,
segundo se diz, é um estrangeiro, mas dentro em pouco a verdade se manifestará
e todos saberão que ele é tebano de nascimento. De são se tornará cego, e de
rico, ele se tornará pobre. Então, todos saberão que ele é pai e irmão de seus
filhos, filho e esposo de quem nasceu e matador do próprio pai. Entra e medita
nessas coisas. Se concluíres que fui mentiroso, podes dizer que, de arte adivinhatória,
eu nada entendo.
Tirésias parte com o guia. Édipo, sério e pensativo, o
acompanha, por instantes, como olhar; depois entra no palácio com seus pajens.
PRIMEIRO ESTÁSIMO
CORO
Quem será
o criminoso
que o
oráculo de Apolo revelou?
O terrível
discurso que Tirésias anunciou
Agitaram-me
o espírito
Na
profecia o mal foi dito
Agitaram-me
o espírito
Na
previsão eu não acredito
(Pandeiro)
Ai a verdade é que Zeus e Apolo são perspicazes
Só só só eles têm conhecimento das coisa humana.
É porque não se pode afirmar com certeza
se um adivinho sabe mais do que eu
Ai ai não vou,
é que eu que não vou acusar o soberano.
Só só só Édipo
derrotou
a terrível Esfinge de Tebas
Porque
ele provou, com sabedoria,
e
ganhou a estima de todos os tebanos.
Ai
ai ai ai, e por isso não podemos acusa-lo criminoso
Ai
ai ai ai, e por isso não podemos acusá-lo criminoso.
e
por isso não podemos acusá-lo criminoso.
e
por isso não podemos acusá-lo criminoso.
e
por isso não podemos acusá-lo criminoso.
e
por isso não podemos acusá-lo criminoso.
CREONTE
Eu
pedi pra parar parou! (a música para). Povo de Tobas, digo, Tebas! Sei que não
estamos vivendo numa democracia mas, quem está dentro?
CORO
Tá
dentro!
CREONTE
E
quem está fora?
CORO
Tá
fora!
CREONTE (Canta):
Ai,ai,ai,ai. (4x)
Bacanal de aniversário, tô dentro
Mas é na casa da minha sogra, tô fora
Mas a casa é um puteiro, tô dentro
Mas família também paga, tô fora
Vai ter gente do mundo inteiro, tô dentro
mas tudo com cara de bunda, tô fora
Vai ter até mulher fruta, tô dentro
E se a fruta for banana, tô fora (é agora)
Ai,ai,ai,ai.(2x)
Se tô dentro, não tô fora
Se tô fora, não tô dentro
Se tô fora, não tô dentro
Se tô dentro, dentro eu vou ficar.
Se tô dentro, não tô fora
Se tô fora, não tô dentro
Se tô fora, não tô dentro
Se tô dentro, dentro eu vou ficar.
CREONTE
Cidadãos
tebanos, fui informado de que o Édipo Rei forjou contra mim gravíssimas
acusações.
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Sim!!!!!!!
CREONTE
Não!!!!
CORO
Não?
CREONTE
Digo,
sim! E mais, soube por uma fonte segura, um passarinho de nome Assum, que ele
pensa que contribuí para a desgraça que nos aflige.
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Sim!!!!!!!
CREONTE
Não!!!!
CORO
Não?
CREONTE
Digo,
sim! E mais, que eu, Creonte, tentei prejudicá-lo com obscuras acusações.
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Sim!!!!!!!
CREONTE
Não!!!!
CORO
Não? Não sei; meus
olhos não veem o que os governantes fazem, mas vejo que Édipo Rei vem saindo do
palácio....
ÉDIPO
Voltaste aqui? És assim tão atrevido que ousas voltar ao meu
palácio para roubar meu trono?
CREONTE
Dá-me tua atenção.
Escuta-me por tua vez, depois que eu falar, julga-me tu mesmo.
ÉDIPO
Não, eu não te dou a
palavra porque tu és hábil em falar, e também porque tu és hostil e perigoso.
CREONTE
Escuta-me. É
precisamente a respeito disso que vou dizer-te.
ÉDIPO (irônico)
Não me digas que tu não
és mau.
CREONTE
Se julgas que teimosia
sem bom senso possa valer alguma coisa, não pensas com acerto.
ÉDIPO
Se pensas que um
parente mal intencionado não deva ser punido, estás muito enganado.
CREONTE
Concordo contigo neste
ponto.
ÉDIPO
Ah, concorda?
CREONTE
Mas que mal eu te
causei?
ÉDIPO
Que mal tu me
causastes? Que mal tu me causastes? Tu me aconselhaste ou não me aconselhaste
mandar vir aquele tolo adivinho de nome Tirésias?
CREONTE
Aconselhei e ainda sou
a favor.
ÉDIPO
Creonte, quanto tempo
faz, aproximadamente, que o Rei Laio...
CREONTE
Que fez Tirésias? Eu
não compreendo..
ÉDIPO
Quanto tempo faz,
aproximadamente, que o Rei Laio foi vítima daquele atentado brutal?
CREONTE
Já decorreram longos e
velhos anos.
ÉDIPO
E naquele tempo, esse
teu adivinho, Tirésias, já exercia então a sua arte?
CREONTE
Naquele tempo ele era
tão sábio e estimado como hoje.
ÉDIPO
Naquele tempo, ele fez alguma referências à
minha pessoa?
CREONTE
Nunca, pelo menos não
na minha presença.
ÉDIPO
Naquele tempo, tu
Creonte e aquele tolo adivinho não fizeram nenhuma investigação em torno do
assassinato do rei Laio?
CREONTE
Como não? Investigamos...
ÉDIPO
Investigaram?
CREONTE
... investigamos,
investigamos muito, investigamos, mas nada conseguimos apurar.
ÉDIPO
E por que é que
naquele tempo, o tal sábio adivinho, por meio da sua arte da adivinhação, não
revelou então o autor do crime?
CREONTE
Não sei.
ÉDIPO
Ah, não sabe.
CREONTE
Não sei, e, em coisas de que não entendo, eu
prefiro calar.
ÉDIPO
Mas de uma coisa tu
sabes.
CREONTE
Qual coisa?
ÉDIPO
De que, se aquele tolo
adivinho não se tivesse se aliado contigo, ele sozinho jamais teria me acusado
de matar o Rei Laio.
CORO
Ohhh!
CREONTE
Se isso te disse ele, tu
já estás a par de tudo.
CORO
Ohhh!
CREONTE
Dê-me o direito de te
interrogar sobre esse assunto.
ÉDIPO
Pois interroga-me,
agora convencer-me de que sou o assassino do rei Laio, isso jamais acontecerá!
CREONTE
Então me diga, Édipo
Rei, não estás casado com minha irmã?
ÉDIPO
Disso não tenho
dúvida.
CREONTE
Governas com ela esta
terra, com igual autoridade e poder?
ÉDIPO
Satisfaço todos os
desejos dela...
CORO
Hummmm....
ÉDIPO
...no governo.
CORO
aahhhh....
CREONTE
Como teu cunhado, como
ou como, como teu cunhado não sou, portanto, igual a ambos, como um soberano?
ÉDIPO
É precisamente por
isso que estou convencido de que tu és um amigo traidor.
CREONTE
Não, de
modo algum. Se quiseres acompanhar o meu raciocínio, verás que estás
equivocado. Reflete comigo: Mino, Tauro – aproximem-se! (Creonte fala na ponta
do chifre de Mino) Haverá alguém aqui presente que prefira reinar em meio a
temores e sobressaltos sem ter o sono perturbado e gozando, eu falei gozando,
ouçam bem, gozando dos mesmos poderes?
CORO
Não!!!
MINO E TAURO
Muuuuuu!
CREONTE
Não! Pois
bem, ninguém em são juízo iria preferir isso. Édipo, Rei, Édipo Rei, um rei que
exerce o poder real, de fato, tem que lidar com os dissabores da realeza. Eu não
nasci ser rei só de nome como tu.
ÉDIPO
Como é
que é? Repete.
CREONTE
Repete,
o quê?
ÉDIPO
O que acabaste de me
dizer.
CREONTE
Eu? Eu
não falei nada.
ÉDIPO
Essa
frase “que se eu fosse rei como tu”...
CREONTE
Ah, que
se eu fosse rei como tu?
ÉDIPO
É.
CREONTE
Oxe, eu
não falei nada.
ÉDIPO
Creonte!
CREONTE
Não!
Édipo, Rei, Édipo Rei, se eu fosse rei como tu eu enfiava a mão...
ÉDIPO
Hum!
CREONTE
...
juízo.
CORO
Ufa!
CREONTE
Perceba,
bem Édipo, gozo da amizade de todos, gozo ou não gozo?
CORO
Goza!
CREONTE
Gozo
demais, gozo muito! Quem é que vai me
dar hoje?
CORO
Eu! Eu
! Eu!
CREONTE
Quem eu já comi não, pera
aí, te acalma!
CORO
CORO (Aplaudindo)
Viva
Creonte! Ele é o maior! Creonte é o
maior! Creonte é o maior! Creonte é o maior!!!
CREONTE
Veja
bem Édipo, todos me querem bem, eles precisam de ti, eles recorrem a quem? A
mim. Nada obtêm sem o meu intermédio. Agora pensa comigo... Por qual motivo
Édipo, eu iria trocar o meu poder pelo teu?
ÉDIPO
Eu não
sei!
CREONTE
Um homem sensato jamais cometeria tal erro. Não
me acuses sem antes me ouvir, sem provas concretas, baseado apenas em
suspeitas. Com o tempo, conhecerás a verdade, toda a verdade, nada mais que a
verdade.
CORO (aplaude e canta)
Aqui, só
dá Creonte, com muito orgulho e muito amor!!!! (aplaudem)
Corifeu
Ele falou bem, ó rei.
Os que julgam com pressa não julgam com segurança.
ÉDIPO
Quando alguém trama
contra mim, é preciso que eu me vingue rapidamente.
CREONTE
O que pretendes,
enfim? Banir-me de Tebas?
CORO (reage)
Não, faça
isso grande soberano! Não expulses Creonte! Nós o amamos, ele é nosso amigo!
ÉDIPO
Não! De modo algum. Jamais
farei isso, eu não quero que Creonte seja banido dessa cidade. Creonte, eu
quero que tu morras.
CREONTE
Quando me tiveres
mostrado a razão do teu ódio, então poderás me matar.
ÉDIPO
Falas como quem não
acreditas no que digo?
CREONTE
Bem vejo que não és
sensato.
ÉDIPO
Sou sensato, pelo
menos no que se diz respeito aos meus interesses pessoais.
CREONTE
Sou sensato, pelo
menos no que se diz respeito aos meus interesses pessoais. E os meus interesses
pessoais? E os meus interesses pessoais?
ÉDIPO
Não me interessa os
teus interesses, porque tu és um traidor.
CREONTE
E se tu estiveres
equivocado?
ÉDIPO
Mesmo assim, tu deves
obedecer as minhas ordens!
CREONTE
Não, se tu governas
mal, eu não sou obrigado
ÉDIPO
Ó cidade, ó cidade!!!
CREONTE
Ó cidade! Ó cidade!
CORO
Cessai, senhores! Eis
que, em boa hora, vem chegando a rainha Jocasta. (Vixe, fudeu, lascou-se) Talvez
ela possa aplacar essa discussão.
JOCASTA
Ó infelizes, por que
essa gritaria? Por que essa estúpida discussão? Não vos envergonham? Venha aqui
para dentro de casa Édipo, e tu também, Creonte.
CREONTE
Teu
esposo Jocasta, o teu esposo tenciona me matar, quer extinguir-me o corpo da
alma, separar-me a carne do espírito!
ÉDIPO
É
verdade, mulher. Eu o surpreendi impondo mentiras contra minha pessoa.
CREONTE
Édipo!
Morra eu execrado Édipo! Eu quero que Zeus me taque um raio, se te fiz alguma
coisa daquilo que me imputas!
JOCASTA
Oh!
Ai de mim. Em nome dos deus, Édipo, acredite na sinceridade de Creonte.
TAURO
Atenda o pedido de Jocasta, ó rei!
CORO
Nós te pedimos, nós te
suplicamos!
ÉDIPO
Por que me fazem esse
pedido?
TAURO
Porque esse homem, que
antes era pequeno, mas hoje tornou-se grande por um grave juramento
ÉDIPO
Sabes bem o que estás
pedindo?
TAURO
Sei.
ÉDIPO
Explica-te de modo
claro.
TAURO
Não acuses e nem
condenes sem provas incontestáveis! Não acuses e nem condenes sem provas
incontestáveis! Não acuses e nem condenes sem provas incontestáveis! Quem é
Creonte? Quem é Creonte? Quem é Creonte?
MINO
Um traidor!!!!!!
CORO
Não!!!!!!!
MINO
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!!!
MINO
Sim!!!!
CORO
Sim!!!!!!!
MINO
Não!!!!
TAURO
Não! Creonte é um
amigo.
MINO
Ah, poxa!
CORO
Ahhhh, que fofuxo!
TAURO
Creonte é um amigo.
MINO
Um amico?
TAURO
Creonte é meu amigo!
MINO
Seu amico?
TAURO
Creonte é nosso amigo!
MINO
Nosso Amico ?
TAURO
Creonte é seu amigo!
MINO (Faz um trocadilho com as palavras)
A mi comeu? A mico
meu? A mico meu todo mundo?
TAURO
Sim, Creonte é um
amigo que merece tua honra e teu
respeito, que a ti senhor ele se ligou por sagrado juramento.
ÉDIPO
Tenho certeza de que se
eu fizer o que me pedes irei invocar sobre mim a morte ou o exílio.
TAURO
(todo o coro chora e se sensibiliza
com a fala do Corifeu)
Não. Juro pelo sol! Que
eu pereça da morte mais terrível, sem deus e sem amigos, tristemente, se em meu
peito abrigar tais intenções. O que meu peito abriga, o que me perturba e
infelicita a alma é o temor de ver em minha pátria novos males somarem-se aos
antigos.
ÉDIPO
As tuas palavras me
tocaram o coração; as tuas, não as deste. Este, em todo lugar onde estiver,
será por mim odiado, odiado!
CREONTE
Vejo que cedes com
ódio no coração. A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena! Eu sei.. “eu
sei, que eu não sou, quem você sempre sonhou! Mas vou reconquistar o teu amor,
todo pra mim!
ÉDIPO
Ainda estás aqui?
Saia!
CREONTE
Sairei, mas sairei cantado!
“Édipo jura, Édipo jura, Édipo jura”
(Édipo Rei e Creonte saem de cena)
CORO (Estala dedos)
U au, u au, u au!
Corifeu I
Senhora, por que
tardas a levar o rei ao aconchego do palácio?
JOCASTA
Ah, eu odeio todas
essas vozes na minha cabeça. Já não me basta Ésquilo, Euripedes...
CORO
Sófocles!
JOCASTA
Que seje!
CORO
Que seja!
JOCASTA
Vou conduzi-lo, depois
de informada sobre o que aconteceu.
Corifeu II
Surgiu uma opinião
infundada, uma suspeita obscura, e as suspeitas, ainda quando são injustas,
ferem.
JOCASTA
Da parte dos dois?
Corifeu I
Sim, da parte de
ambos.
JOCASTA
Do que se tratava?
CORO
Basta, rainha, basta!
Nossa pátria está imersa em dor e sofrimento. Sugiro que encerre-se de vez esta
questão.
ÉDIPO (dirigindo-se ao coro)
Vês a que ponto
chegaste? Apesar de eu ser homem ajuizado, fizeste-me não punir Creonte.
CORO
Mais de uma vez te
disse, ó soberano: eu seria insensato se hoje te abandonasse. Se tanto podes,
sê também agora nosso feliz e amado guia.
JOCASTA
Em nome dos deuses
Édipo: Zeus, Apolo, Giannecchini, Rodrigo Santoro... (Édipo intervém –
Jocasta!)) dize-me também o motivo pelo qual entraste em cólera.
ÉDIPO
Vou te contar mulher,
pois tenho maior consideração por ti do que por eles. É por causa de Creonte, e
já te digo que seu irmão está tramando contra a minha pessoa.
JOCASTA
Pois conta-me, esposo.
Raposo...
ÉDIPO
Creonte me acusa de
ser o assassino do Rei Laio.
JOCASTA
Não!
ÉDIPO
Sim!
JOCASTA
Não!
ÉDIPO
Sim!
JOCASTA
Sim! Mas ele tinha
conhecimento do fato ou soube por outra pessoa?
ÉDIPO
Eu não sei, eu não
sei, eu não sei! Eu só sei que ele me aconselhou de chamar um adivinho de nome
Tirésias, de cuja boca se valeu de um tudo para me acusar, deste mondo, Creonte
conseguiu se eximir de toda responsabilidade.
JOCASTA
Esquece
as tuas razões e escuta-me: o oráculo de Apolo disse a Laio, meu falecido
marido, que Ades o tenha, que era o destino do meu falecido morrer pela mão do
filho, do filho que nascesse de mim e do meu querido e falecido Laio. Mas, três
dias após o nascimento do nosso filho, Laio atou os pés do meu menino... Queria
deixar claro que essa ideia foi de Laio e não minha, foi Laio quem teve essa
idéia e não eu... então, Laio atou os pés do meu menino e mandou jogá-lo num
monte inacessível para que morresse. Ahhhh! Socorro! Socorro!
ÉDIPO
O bebe
já falava Jocasta?
JOCASTA
Cala
boca! Não interrompa a minha história que isso aqui é coisa de adulto. Onde é
que eu estava mesmo? Ah sim! mandou jogá-lo no monte para que morresse e também
para que o deus Apolo não realizasse a
terrível profecia.
ÉDIPO
Que
profecia?
JOCASTA
Aquela que
dizia que se o meu falecido marido tivesse um filho comigo, esse filho se
tornaria o assassino dele. Só que meu falecido, que Ades o tenha, não viveu
para ver cumprir o seu terrível destino: morrer pela mão do filho.
ÉDIPO
Não?
JOCASTA
Não! Graças
à Zeus, Apolo não cumpriu a sua profecia porque, conforme eu soube, o meu falecido marido, que Ades o tenha, foi morto
por bandidos estrangeiros que o mataram numa encruzilhada, numa tesourinha
entre Tebas e Corinto. Ah, meu amor, não
dê a mínima atenção a essas profecia de beira de estrada. Quando um deus quer revelar um fato, ele mesmo
o faz claramente, sem precisar de adivinhos.
ÉDIPO
Mulher, essa história
agitou o meu ser.
JOCASTA
Ah, que inquietação
tão súbita é essa?
ÉDIPO
Tu disseste que o Rei Laio
foi morto numa encruzilhada?
JOCASTA
Disse.
ÉDIPO
E em que lugar ocorreu
o triste fato?
JOCASTA
Soube que foi no
entroncamento dos caminho que partem de Tebas e Corinto.
ÉDIPO
E quanto tempo faz que
isso aconteceu?
JOCASTA
A notícia do assassinato
de Laio divulgou-se em Tebas há uns 15 anos, pouco tempo antes de tu assumir o
governo dessa cidade.
ÉDIPO
Ó Zeus, que quiseste
fazer de mim?
JOCASTA
Para com Isso Édipo! O
que é que está conturbando assim o teu espírito?
ÉDIPO
Jocasta, dize-me que
aspecto físico e que idade tinha o rei Laio quando ele foi assassinado?
JOCASTA
Ahhhh, ele era alto,
na cabeça apontavam-lhe os primeiros cabelos brancos. Fisicamente, lindo,
perfeito e bastante parecido contigo.
ÉDIPO
Ai de mim, Infeliz de
mim! Parece que, sem saber, invoquei sobre mim mesmo tremendas maldições.
JOCASTA
Que diz?
ÉDIPO
Ai de mim! Temo que o
adivinho Tirésias seja mesmo um vidente e que, tenha dito a verdade. Que
pensas?
JOCASTA
Eu só posso falar
depois que estiver bem informada.
ÉDIPO
Mas o rei Laio viajava
sem comitiva ou como soberano, escoltado por muitos homens armados?
JOCASTA
Ao todo, eram uns cinco.
ÉDIPO
Infeliz que sou! Os
fatos já são claros. Mas quem foi, mulher, que relatou a ocorrência?
JOASTA
Um criado, o único que
se salvou e voltou ao palácio.
ÉDIPO
Estaria ele agora aqui
no palácio?
JOCASTA
Estaria? Estaria? Ah,
não, eu acabei de me lembrar, depois que ele voltou do local do crime e soube
que tu ocupavas o trono do falecido, ele me implorou que eu o enviasse para o
campo para viver como pastor de rebanho. Pelo que entendi, ele queria viver o
mais longe possível da cidade.
ÉDIPO
Ah! Se ele pudesse vir
aqui o mais depressa possível!
JOCASTA
É possível, mas por
que deseja isso?
ÉDIPO
Receio, mulher, ter
falado demais.
JOCASTA
Não te preocupe,
mandarei chama-lo, ele virá. Mas talvez eu também seja digna de saber o motivo
de tua aflição.
ÉDIPO
Não vou contar.
JOCASTA e CORO
Conta!
ÉDIPO
Está
bem. Nada te ocultarei, Jocasta. Meu pai, o rei Polibo, e minha mãe, a rainha Mérope, são de Corinto. Eu era
considerado o maior homem de Corinto, até que um certo dia, um indivíduo super embriagado
me chamou de filho ilegítimo.
JOCASTA
Bastardo?
ÉDIPO
Sim,
bastardo! Naquele dia, muito magoado a custo eu me controlei; mas, no dia
seguinte, procurei os meus pais, procurei e os interroguei. Eles indignaram-se,
disseram que era uma injúria, mentiras. Eles tentaram me tranquilizar. Contudo,
às escondidas de meus pais, eu viajei para consultar o oráculo de Apolo para
saber toda a verdade, a verdade nua e crua. Só que o deus Apolo se despediu de
mim sem me honrar com uma resposta segura. Em troca, o deus Apolo previu
infortúnios, desgraças, coisas terríveis. Segundo ele, estava escrito na linha
do meu destino que.... ah, eu não dou conta de falar!
CORO e JOCASTA
Fala! Conta! Bota para fora!
ÉDIPO
... que
eu deveria casar com minha própria mãe! Pronto: falei!
CORO e JOCASTA
Ohhhh!!!!
ÉDIPO
Mas tem mais!
CORO e JOCASTA
Tem
mais? Então, conta!
ÉDIPO
Que nós
iríamos mostrar aos homens uma prole de filhos insuportável de se ver!
CORO e JOCASTA
Ohhhhh!!!
ÉDIPO
... e,
por último, ai, isso eu não dou conta de falar!
CORO e JOCASTA
Agora
conta até o final! Vamos fala!
ÉDIPO
Está
bem! ... que eu Édipo haveria de ser o assassino de meu pai!
CORO e JOCASTA
OHHHHH!!!!
ÉDIPO
Assim que ouvi essas previsões do oráculo,
fugi de Corinto, porque eu queria fugir para um lugar tão longe, um lugar tão
distante, um lugar onde os homens e nem os deuses jamais pudessem ver cumpridas
essas vergonhosas previsões a meu respeito. Só que, a certa altura da viagem,
cheguei àquele local onde, como dizes, foi assassinado o rei.
JOCASTA
Numa
encruzilhada?
Édipo
Sim,
numa encruzilhada. La ia eu seguindo o meu caminho, cego de cólera quando, perto
da encruzilhada encontraram-se comigo um mensageiro e um certo senhor de meia
idade. Eu, tomado de cólera, estava querendo seguir o meu caminha e o
mensageiro estava tentando me desviar dele, eu querendo seguir e o mensageiro
querendo me desviar, até que eu tirei a minha espada e feri o mensageiro que
fugiu covardemente. Quando o mensageiro fugiu eu fiquei cego de ódio e acabei
por matar todos os que o acompanhavam. Logo depois me deparei com uma terrível
Esfinge... (GRITO) que veio com um papinho de “Decifra-me ou te devoro!”.
Quando ela terminou a pergunta eu respondi que era “o bobo do homem!”. Então,
ela teve um enfarte e caiu durinha na minha frente. O resto todo mundo já sabe!
Jocasta, meu amor, eu estou aqui pensando: se, entre mim e o rei Laio, houver
algum parentesco, existe agora alguém mais infeliz do que eu? Algum deus
reservaria tamanha infelicidade a um homem?
CORO
São para nós horríveis
essas coisas, Ó rei; Édipo, Édipo rei, porém, enquanto não ouvires aquele que
testemunhou o fato, não percas a esperança.
ÉDIPO
Oh! Sim, minha única
esperança consiste em esperar e ouvir esse pastor.
JOCASTA
Mas o que espera dele?
ÉDIPO
Se o que ele disser
coincidir com o que tu disseste, então estarei livre dessa terrível desgraça.
JOCASTA
Mas, que pormenor tão
importante ouviste de mim?
ÉDIPO
Dissestes que o pastor
afirmou terem sido “assassinos” que mataram o rei. Assassinos! Se ele reafirmar
o mesmo número, no plural, então não fui eu o assassino do rei Laio, porque um
não pode ser igual a muitos.
JOCASTA
Podes crer que não
haverá discrepância entre a sua narrativa e a minha. A verdade é que o meu
infeliz filho não matou o pai, mas morreu antes que o fizesse.
ÉDIPO
Manda já alguém chamar
o pastor. (Sai)
JOCASTA
Mandarei sem demora.
Mino! Tauro! Busquem esse pastor! (Mino e Tauro realizam uma gag) Tragam-me a
oferenda (o Corifeu entrega-lhe uma oferenda e o som de atabaque começa) Ó Apolo
salvador, a ti venho, com estas oferenda, para te suplicar que nos conceda um
meio que nos livre dos males e nos tranquilize, porque todos trememos de pavor,
ao ver perturbado o nosso amado Édipo Rei.
MENSAGEIRO DE CORINTO
“Andamos todos iguais,
andamos todos iguais, pr’um lado pro outro, pra frente e pra trás, andamos
todos iguais! Andamos todos iguais, andamos todos iguais, pr’um lado pro outro,
pra frente e pra trás, andamos todos iguais! Andamos todos iguais, andamos
todos iguais, pr’um lado pro outro, pra frente e pra trás, andamos todos
iguais!”(Jocasta estalado os dedos como quem pede para ajuda-la a se levantar).
Senhora, trago boas notícias para esta família e para teu esposo.
JOCASTA
Quais? Da parte de
quem?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Estou chegando de
Corinto. A mensagem que te trago certamente há de alegrar-te (por que não?),
mas também pode entristecer-te.
JOCASTA
Como? A notícia,
então, tem duplo efeito?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Os habitantes de
Corinto irão proclamar Édipo seu rei – Édipo Rei. É o que se diz por lá.
JOCASTA
Como assim? O velho
rei Polibo não está ainda no poder?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Já descansa nos braços
da morte, no túmulo.
JOCASTA
Que dizes? O rei Polibo
morreu?!
MENSAGEIRO DE CORINTO
Morra eu, se não estou
falando a verdade.
JOCASTA (música de atabaque)
Ó oráculo dos deuses,
onde estais? Outrora, temendo matar o pai, Édipo fugiu de Corinto, e agora o
rei Polibo morreu, não pelas mãos dele, Édipo, mas de morte natural.
Festa!!!!!!
(Édipo sai do palácio e entra em cena.)
ÉDIPO
Jocasta, por que esta
festa?
JOCASTA
O rei Polibo morreu, o
rei Polibo morreu!!!
ÉDIPO
Que dizes? Parou! (A festa acaba) forasteiro dá-me tu mesmo a
confirmação da notícia.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Já que me cumpre,
antes de tudo, comunicar isso de modo claro, saibas que teu pai morreu.
ÉDIPO
De que maneira?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Uma ataque, coisa
costumeira que faz adormecer para sempre um corpo carregado de velhice.
ÉDIPO
Um ataque! Como era de
esperar, meu desventurado pai morreu de doença. Que notícia boa! Festaaaaa! (O
Coro comemora sem saber o quê)
MENSAGEIRO DE CORINTO
E além da doença, sem
dúvida, contribuiu muito a idade avançada.
ÉDIPO
(feliz) Jocasta,
Tirésias estava errado. Meus filhos, meu pai está morto e debaixo da terra. E
eu aqui estou, sem ter tocado em arma assassina, a não ser que eu o tenha
matado de saudades do filho ausente. Somente assim eu poderia tê-lo matado. De
qualquer maneira, Tirésias não é digno de nenhuma fé.
JOCASTA
Eu não te havia dito?
ÉDIPO
Sim. Mas tive medo.
Muito medo!
JOCASTA
Daqui por diante não
deixará entrar em teu coração nenhum desses temores.
ÉDIPO
Mas como não, se eu
ainda temo o leito conjugal materno?
JOCASTA
Por que haveria o
homem de deixar-se dominar pelos temores, se ele está nas mãos do destino e se
a previsão do futuro é de todo impossível? Vive-se melhor vivendo-se como se
pode, no aqui e agora, sem preocupar-se com o futuro. Não tenhas, portanto,
receio do teu leito conjugal materno. Dizem que mortais, em sonho, se casam com
a própria mãe. Aquele, porém, que não dá a mínima importância a essas coisas
leva a vida melhor.
ÉDIPO
Meu amor, tu terias
razão de sobra em tudo isso se minha mãe não fosse viva, mas ela ainda vive.
JOCASTA
Édipo, se concentra na
notícia da morte de teu pai que é uma grande felicidade.
ÉDIPO
Sim, concordo, essa
notícia é uma grande felicidade; mas tenho medo do leito conjugal materno.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Qual é a mulher que te
atemoriza?
ÉDIPO
Minha mãe, a rainha
Mérope.
MENSAGEIRO DE CORINTO
E por que a rainha
Mérope te inspira tanto temor?
ÉDIPO
Por causa da maldição
do oráculo de Apolo.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Posso saber?
ÉDIPO
Como meu pai está morto, não há nada
que me impeça de dizê-lo. Há muitos anos, o oráculo de Apolo me revelou que
chegaria o dia em que eu mataria o meu pai e me casaria com a minha própria mãe.
Por causa disso, há 15 anos, eu fugi de Corinto.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Então foi por medo
disso que fugiste de Corinto e te exilaste aqui em Tebas?
ÉDIPO
Justamente, e para que
eu não me tornasse o assassino de meu pai.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Então com essa boa
notícia, te libertou do medo?
ÉDIPO
De certa forma sim.
Essa notícia da morte do meu pai é deveras uma gorda recompensa.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Recompensa! Pois vim
aqui para isso. Volte
para Corinto para receber a tua recompensa.
ÉDIPO
Jamais irei para junto
dos que me deram à luz!
MENSAGEIRO DE CORINTO
Mas é evidente que não
sabes o que estás fazendo!
ÉDIPO
Como não? Então,
explica-me pelos deuses!
MENSAGEIRO DE CORINTO
Se a causa de tua fuga
é a que acabas de me dizer, volta para a tua casa em Corinto.
ÉDIPO
Mas eu ainda tenho
medo de que o deus Apolo cumpra a maldição.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Tens medo de cometer
algum crime contra os que deram à luz?
ÉDIPO
É isso que sempre temi
e sempre temerei.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Pois não tenhas mais
esse temor.
ÉDIPO
Como não, se sou filho
dos pais de que te falei?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Porque nenhum laço de
parentesco existe entre ti e o falecido rei Polibo.
ÉDIPO
Parou! (A festa para) Que
dizes?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Porque nenhum laço de
parentesco existe entre ti e o falecido rei Polibo.
CORO
Oh!
ÉDIPO
Então, meu pai, o rei
Polibo, não me era meu pai?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Tanto quanto eu.
ÉDIPO
E como pode um pai não
ser aquilo que ele é?
MENSAGEIRO DE CORINTO
A verdade é que nem eu
nem ele te geramos.
ÉDIPO
Mas como se explica?
Se ele me chamava de meu filho.
MENSAGEIRO DE CORINTO
É bom que saibas que, muitos anos atrás, o rei
Polibo te recebeu de minhas mãos como presente. Ele não tinha filhos, por isso
te adotou e amou com um pai natural ama um filho.
ÉDIPO
Então foste tu que me
deste ao rei Polibo?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Encontrei-te num vale
profundo e matoso. E também fui teu salvador naquela hora aflitiva.
ÉDIPO
Mas que dores e que
males me afligiam quando me recolheste?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Poderia dizê-lo, as
juntas de teus pés que estavam amarradas com fios bem apertados.
ÉDIPO
Ai de mim! Infeliz que
sou.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Eu retirei os fios que
perfuravam e atavam os teus pés. E foi por causa desse infortúnio que te veio o
nome que tens: Édipo, oidípus, aquele que tem os pés inchados.
ÉDIPO
Oh, pelos deuses! Fui
abandonado por meu pai ou por minha mãe? Fala.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Não sei. Quem te
entregou a mim sabe melhor que eu.
ÉDIPO
Então recebeste-me de
outra pessoa?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Exatamente, foi outro
pastor que te entregou a mim.
ÉDIPO
De quem? Saberias me
informar?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Dizia ele ser um dos
servos do rei Laio.
ÉDIPO
Servo do rei Laio?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Exatamente. Ele era
pastor do rei Laio.
ÉDIPO
E esse pastor ainda
vive?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Vós, cidadãos tebanos,
de certo sabereis dizê-lo melhor do que ninguém.
ÉDIPO
Há alguém aqui que
conheça o pastor de quem fala este homem e que o tenha visto, quer no campo,
quer na cidade?
CORO
Penso não ser nenhum
outro que não aquele pastor que há pouco desejavas que ele viesse à tua
presença. Todavia, quem melhor que a rainha Jocasta, aqui presente, te poderia
informar sobre o homem que procuras?
ÉDIPO
Conheces, Jocasta, o
homem que há pouco mandamos chamar? É o mesmo a quem este forasteiro se
referiu?
JOCASTA
Que temos nós com esse
homem? Não te preocupes.
ÉDIPO
Isso nunca! Só irei me
acalmar quando eu esclarecer a minha origem.
JOCASTA
Não busques saber
isso, pelos deus, se ainda tens algum amor à tua vida!
ÉDIPO
Confie em mim. Mesmo
que eu descubra que sou descendente de três gerações de escravos, tu não serás,
por isso, desonrada ou humilhada.
JOCASTA
Ainda assim, não faças
isto!
ÉDIPO
Eu preciso saber de
onde venho.
JOCASTA
É porque te quero bem,
que te aconselho a não saber de onde tu
vens.
ÉDIPO
É precisamente de onde
venho que quero saber.
JOCASTA
Ó infeliz! Tomara que
nunca saibas quem és! Ai de mim, ai que Infeliz que sou! Ai de mim, ai meus
joelhos! Ai de mim! Ésquilo que destino
cruel me deste!
CORO
Foi Sófocles!
JOCASTA
Que seje!
CORO
Que seja!
JOCASTA
Ai de
mim, infeliz de mim! Ai, meu joelhos! Ai, ai de mim! Como sofro! Ai, ai, ai,
ai, ai , ai meus joelhos! (Saindo
dramaticamente de cena) Ai de mim que ralei os meus joelhos!
CORIFEU
O que a rainha disse?
CORO
(repassa a fala até chegar no
Corifeu)
Ai de mim que ralei os meus joelhos!
Ai que ralei os joelhos! Ralei os joelhos!
Os joelhos!
CORIFEU
Ela deu que nem os coelhos!
CORO
ahhh! Por que será, ó rei, que a
rainha Jocasta saiu tão agitada e impetuosa, presa de indisfarçável dor feroz? Temo
esse premonitório silêncio. Temo que dele irrompam grandes males.
ÉDIPO
Não me interessa! Jocasta
está histérica, está alucinando, não lhe deem ouvidos! Eu quero saber a minha
origem por mais humilde que ela seja. Jocasta é uma mulher vaidosa que, se orgulha da sua nobre estirpe e talvez se
envergonhe do meu obscuro nascimento. Eu não me considero desonrado por ser
filho ilegítimo, de alguma mãe eu nasci mesmo que seja de uma escrava, eu quero
conhecê-la.
CORO (SÓ MULHERES)
Qual foi, filho, qual mulher que,
unida ao andarilho Pã, te deu à luz do dia? Ou terá sido uma amante de Apolo que
te trouxe a este mundo? Talvez o alegre deus das bacanais, Dionísios, te
recebeu, como imprevista dádiva de alguma das formosas ninfas de Tebas com quem
ele costumava se divertir.
ÉDIPO
Pelo que posso ver, eis que chega o
pastor que tanto procuro.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Conheço-o, de fato. Ele foi o pastor do rei Laio e fiel a
toda prova.
ÉDIPO
É este o homem de quem
falas?
MENSAGEIRO DE CORINTO
É este mesmo.
ÉDIPO
Diga-me, há 15 anos
atrás tu trabalhastes para o Rei Laio?
SERVO
Fui servo dele.
ÉDIPO
Com que lidavas
SERVO
Fui sempre pastor.
ÉDIPO
Em que regiões trabalhavas?
SERVO
Nos arredores desse
monte.
ÉDIPO
Lembras deste homem de
algum lugar?
SERVO
Fazendo o que? De que
homem falas?
ÉDIPO
Deste que está do teu
lado.
SERVO
Não o posso dizer, sem
antes pensar.
MENSAGEIRO DE CORINTO
Não tenho dúvida,
senhor rei. Mas eu vou despertar a memória dele. Sei que ele se lembra muito bem do tempo em
que eu convivia com ele os seis meses inteiros. Ele pastoreando três manadas e
eu uma só. Quando chegava o inverno, eu trazia o rebanho para os meus currais,
ele, para os currais do rei Laio. É ou não é verdade?
SERVO
O que dizes é verdade,
embora isso tenha acontecido há tantos anos!
MENSAGEIRO DE CORINTO
Dize-me agora uma
coisa: lembras-te de haver-me dado no passado... (Aponta Édipo Rei com a cabeça)
SERVO
Que significa isso? A
que propósito vem essa tua pergunta?
MENSAGEIRO DE CORINTO
Então, não te lembras
de me haver dado no passado... (Aponta Édipo Rei com a cabeça)
SERVO
Maldito sejas! Não vais ficar calado?
ÉDIPO
Ah! Não censures este
homem. Tuas palavras são mais repreensíveis que as dele.
SERVO
Em que errei,
boníssimo soberano?
ÉDIPO
Em recusar a responder
à pergunta que ele te fez.
SERVO
É que ele fala sem
saber nada do que diz.
ÉDIPO
Não queres falar por
bem, falarás por mal.
SERVO
Não, pelos deuses! Não
me maltrates!
ÉDIPO
Segurem esse homem. (Mino e Tauro seguram o
Servo)
SERVO
Infeliz que sou! Por
quê? Por quê? Por quê?
ÉDIPO
Deste para este homem
como ele acaba de afirmar ou não? Vamos, responda, deste para este homem?
SERVO
Dei, dei, confesso que
dei mas isso foi há quinze anos!
ÉDIPO
O quê?
SERVO
O quê, o quê?
ÉDIPO
Do quê tu estais
falando?
SERVO
Falo que dei para este
homem mas, isso foi a muitos anos, só no passado.
ÉDIPO
Falo da criança, do bebê...
SERVO
Ah sim, a criança,
também dei. Dei sim! Tomara que tivesse morrido naquele dia!
ÉDIPO
Mas é isso que acontecerá se não me
disseres a verdade.
SERVO
No meu caso, falar é muito pior que
a morte
ÉDIPO
Este indivíduo está
usando de evasivas.
SERVO
Não, de modo algum, já
não te disse que a dei?
ÉDIPO
De quem tomaste a
criança?
SERVO
Minha que não era!
Recebi-a de alguém.
ÉDIPO
De algum destes
cidadãos e de que casa?
SERVO
Não, pelos deuses te
suplico, soberano, não perguntes mais!
ÉDIPO
Morrerás, se me
obrigares a repetir a pergunta.
SERVO
Pois bem, (Inspira) ...
a criança era o único filho do rei Laio.
CORO
Ohhhhh!
ÉDIPO
Nascido de alguma
escrava ou filho legítimo do rei Laio com a rainha Jocasta?
SERVO
Infeliz de mim, que
chegou a terrível hora de revelar toda a horrenda verdade!
ÉDIPO
Mais infeliz sou eu
que preciso ouvi-la.
SERVO (Inspira)
É certo que a criança
era filho do rei Laio com a rainha Jocasta.
CORO
Ohhhhh!
SERVO (Inspira)
Melhor do que qualquer
outro te explicaria essas coisas a que está lá dentro do palácio, a tua esposa
e tua mãe.
CORO
Ohhhhh!
ÉDIPO
Foi Jocasta quem te
deu a criança?
SERVO
Ela mesma, senhor.
ÉDIPO
Com que intenção?
SERVO
Para que eu a matasse.
ÉDIPO
O filho a que ela deu
à luz?
SERVO
Sim!
ÉDIPO
Não!
SERVO
Sim!
ÉDIPO
Não!
SERVO
Sim, mas por temor de
um mau presságio do deus Apolo.
ÉDIPO
Qual?
SERVO
Dizia o oráculo de
Apolo que aquele filho, tu, haveria de matar seus pais.
ÉDIPO
E por que me
entregastes quando eu era bebê?
SERVO
Por pura compaixão da
infeliz criança, senhor, eu esperava que ele levasse para a terra onde morava.
ÉDIPO
Ai,
de mim! Tudo agora está desvendado. Tudo se tornou evidente! Ó luz, pudesse eu
agora nunca mais te ver! Revelaste ter eu nascido de quem não devia nascer,
casado com quem não devia casar e matado quem não devia matar. Jocasta, meu
amor! Digo, mamãe, eu descobri toda a verdade e te prepara porque a notícia não
é boa! (Édipo entra precipitadamente no
palácio. Só o coro permanece em cena.)
CORO
Ah! Gerações humanas, ah! Mortais, não
passa de ilusão de vossa vida.
GRÃ SACERDOTISA
Qual mortal que, tendo conseguido
provar um pouco de felicidade, bastante para se dizer feliz, não aprendeu assim
que ele julgou que o destino jamais lha roubaria?
CORO
Ó desditoso Édipo, teu exemplo, teu
trágico destino, me ensina a não chamar feliz nenhum mortal.
CORIFEU I
Existe no mundo alguém
mais infeliz que o nosso pobre do o Rei
Édipo?
CORIFEU II
Eu!
CORO
Cala a Boca! (Inspira)
Ah! Famigerado Édipo, que frequentaste o leito nupcial da tua mãe Jocasta, ao
mesmo tempo como esposo e como filho! (Inspira o ar) Para a tua infelicidade, o
tempo, que tudo vê, descobriu-te e te
condenou e puniu por teu funesto
casamento com tua mãe. (Inspira o ar) Oxalá,
oxalá, filho de Laio, nunca te houvesse visto! Aos lamentos de minha boca
derramam-se altíssimos gritos de dor.
CREONTE
Nobres e honrados
cidadãos de Tobas, quero dizer, Tebas! trago vos notícias horríveis.
CORO
As desgraças que nós
já conhecíamos são todas horríveis. Que outros males nos vens anunciar?
CREONTE
Com o pesar no coração
que comunico-vos: a divina Jocasta morreu!
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!
CORO
Sim?
CREONTE (Corta
o coro)
Não!
CORO
Não?
CREONTE
Quero dizer: sim!
CORO
Mas de que?
CREONTE (Apresenta
o nariz de palhaço)
Suicidou-se.
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!
CORO
Sim?
CREONTE
Não!
CORO
Não?
CREONTE
Quero dizer: sim!
Infelizmente, eu não posso descrever esse momento porque é muito doloroso para
mim e também porque eu não testemunhei o suicídio.
CORO
Ohhhh! E como está
agora o desditoso rei? Um pouco mais tranquilo?
CREONTE
Édipo? Édipo está cego.
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!
CORO
Sim?
CREONTE
Não!
CORO
Não?
CREONTE
Quero dizer: sim! (Ri)
Quando ele viu Jocasta morta...
CORO
Mas ele não estava
cego?
CREONTE
Não, isso foi antes
quando ele ainda enxergava. Quando ele viu Jocasta morta, Édipo não aguentou e
se puniu, furando os próprios olhos.
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!!
CORO
Não!!!!!
CREONTE
Sim!!!
CORO
Sim?
CREONTE
Não!
CORO
Não?
CREONTE (Corta
o coro)
Quero dizer sim. Sim, Sim, sim! Um
espetáculo capaz de comover o pior inimigo. (Creonte espeta a mão na coroa e se
comove) Édipo, a nota que você merece é
dó! Maestro, dó maior! “Chorando se foi
quem Édipo que só me fez chorar... Chorando se foi Édipo que só me fez chorar...
Chorando se foi Édipo que só me fez chorar... Chorando se foi quem um dia só me
fez chorar...”
CORO
(Volta
a cabeça pro espectador, fecha a boca, inspira grande quantidade de ar)
Contemplai, cidadãos da pátria Tebas, contemplai esse Édipo
famoso, habilidoso em decifrar enigmas, que tinha em suas mãos força e poder, rei
invejado, próspero e feliz. (RESPIRAÇÃO) Mas sobre o qual acaba de abater-se furiosa
tempestade de infortúnios. (RESPIRAÇÃO) Pelo que vedes, a nenhum mortal que
ainda espera o dia derradeiro considereis feliz, antes que tenha atingido e
transposto livre de qualquer desgraça, o marco final da vida. (Cansaço e
desmaio)
MINO
Creonte é um a mi co? Creonte é seu a mi co? Creonte é nosso
a mico co?
TAURO
Para o nosso bem,
espero que seje!
CORO (reergue
o tronco)
Que seja! (desmaia de
novo).
MINO e TAURO (Triangulam)
Muuuuuuuu!
(FIM)
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